Diário de bordo
Um dia destes ouvi a jornalista Cândida Pinto fazer o relato, na SIC Notícias, do que tinha presenciado como repórter na Líbia.
Cândida Pinto não é uma amadora. É uma boa jornalista e tem muita experiência em cenários de guerra. E, como a mentira, por mais que a escondam, acaba sempre por ter o rabo de fora, deliciei-me a observar os malabarismos que ela fez para não contar a verdade tal como é.
Dizia, então, Cândida Pinto:
– primeiro, que se sabia que os rebeldes tinham sido instruídos pelas forças ocidentais;
– segundo, que eram muito desorganizados, via-se que não tinham um plano de ataque e que mal sabiam mexer nas armas;
– terceiro, que tinham entrado muito facilmente em Tripoli, chegando depressa ao coração da cidade;
– quarto, que a população se manifestava contente porque não ter acontecido o mesmo que no Iraque. Aqui ninguém tinha destruído os bancos, o que com rebeldes tão desorganizados é difícil de entender. Não disse foi se o dinheiro ainda lá estava.
E, também, não disse o que outros colegas seus estrangeiros disseram, correndo risco de vida: que quem tomou a cidade foram as forças da NATO e que essa de “rebeldes” vencedores foi só para inglês ver, isto é, para papalvos acreditarem.
Contar histórias bem contadas é muito difícil, sobretudo quando a intenção é falsear os factos.
A liberdade de expressão é, neste momento, uma miragem e mete dó ver bons profissionais sujeitos aos ditames dos grupos económicos que arrebanharam jornais, rádios e televisões e os impedem de exercer o seu trabalho com dignidade, tendo como alternativa o despedimento.
Como podemos confiar numa comunicação social que só nos conta metade da verdade, e, tantas vezes, nos omite mesmo a verdade toda?



Muito bem, Augusta! Como sempre na mouche. Como em tudo, há homens e há homens (neste caso mulheres), há jornalistas e jornalistas. Há aqueles que procuram a verdade acima de tudo, pela honra e pela dignidade, por vezes à custa da própria vida, e há… os outros.
Em cheio, Augusta Clara! A coragem é uma miragem e a verdade foi trancada num sarcófago.É vergonhoso ver os profissionais da informação sem pingo de decência.