por Rui Oliveira
1. A Fundação Gulbenkian continua o seu ciclo Teatro/Música apresentando na Segunda 24 de Outubro, às 21h no seu Grande Auditório, uma revisão vanguardista de uma das obras maiores de Bartók, O castelo do Barba Azul.
Encenada por Nick Hillel, do colectivo de artes digitais Yeast Culture, e dirigida por Esa-Pekka Salonen, esta nova e única produção apresenta filmes que foram propositadamente criados e que são projectados no cenário em torno da orquestra, a Philharmonia Orchestra. O cenário que rodeará a orquestra será palco da projecção (em superfícies pouco convencionais) de uma série de filmes criados para a ocasião. O objectivo passa pela representação dos diferentes ambientes das salas do castelo e das emoções dos dois protagonistas, que neste caso serão a meio-soprano Michelle DeYoung como Judite e o baixo Sir John Tomlinson como Barba Azul. A narradora será Natália Luiza.
A abrir será tocada a Sinfonietta de Leoš Janácek .
2. A 27 (Quinta,às 21h) e 28 de Outubro (Sexta,às 19h), também no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, encerra com o concerto III o ciclo “Últimas Sinfonias de Tchaikovsky”. A Orquestra Gulbenkian, dirigida por Lawrence Foster terá a coadjuvá-la a jóvem e empolgante violinista russa Alina Ibragimova (toca um violino Pietro Guarnieri de 1738) para a execução dum programa onde constam :
Mikhail Glinka Abertura Ruslan e Ludmilla
Nikolay Roslavets Concerto para Violino e Orquestra nº 1
Piotr Ilitch Tchaikovsky Sinfonia nº 6, op. 74, Patética
Nessa noite de 28 de Outubro (21h30), há generosamente entrada livre para uma exibição de alguns Solistas da Orquestra Gulbenkian tocando o Trio Patético para clarinete, fagote e piano de Glinka e o Quinteto para Piano e Sopros de Rimsky-Korsakov.
3. No Teatro Camões, a Companhia Nacional de Bailado estreia na Quinta 27 de Outubro, às 21h (até 6 de Novembro) o bailado Du Don de Soi , obra inspirada no universo cinematográfico de Andrei Tarkovsky, numa parceria artística com o Centro Cultural de Belém (e como espectáculo de abertura do Festival Temps d’Images).
Tem coreografia original de Paulo Ribeiro e figurinos de José António Tenente. Sobre a coreografia que concebeu, Paulo Ribeiro define-a como ‘’ «Um dom de si maior», porque implica a entrega de um grande grupo de personalidades que, à boa maneira de Tarkovsky, terão de abdicar do acessório para mergulhar num movimento interior e orgânico, cuja finalidade é colectiva no sentido de criar poesia. No sentido de assumir o tempo da poética do corpo. No sentido ainda da assunção de todos os tempos… Dinâmicas essenciais para dar matéria espiritual ao movimento’’.
4. No fim de semana, a Fundação Gulbenkian põe à disposição dois espectáculos para públicos diversos. Aos amantes de ópera, no Sábado 29 de Outubro será possível assistir no Grande Auditório a partir das 18h à transmissão em directo da Metropolitan Opera de Nova Iorque da nova produção de Michael Grandage do Don Giovanni de Wolfgang Amadeus Mozart (maestros James Levine ou Fabio Luisi). Nos principais papeis teremos Mariusz Kwiecien (Don Giovanni), Marina Rebeka (Donna Anna), Barbara Frittoli (Donna Elvira),Mojca Erdmann (Zerlina), Ramón Vargas (Don Ottavio), Joshua Bloom (Masetto), Stefan Kocán (Commendatore) and Luca Pisaroni (Leporello).
Dado não haver ainda registo, ouçam-se as entrevistas de René Fleming aos intérpretes de Don Giovanni, Donna Elvira e Leporello :
No Domingo 30 de Outubro, às 19h, os adeptos das Músicas do Mundo podem saborear Bagdad – Jerusalém (música sacra da antiga Bagdad) onde o multifacetado Yair Dalal, músico israelita de ascendência judia e árabe, “… traz para dentro da sua música – o que equivale a dizer do seu oud e do seu violino – uma série de diferentes tradições musicais. A judia e a árabe, claro, mas igualmente a música clássica europeia e as músicas populares indiana e balcânica”. Este activista da convivência pacífica entre judeus e árabes (tocou na cerimónia do Nobel a Arafat, Rabin e Shimon Peres) e também defensor do património cultural (em risco de extinção) da música beduína e herdeira da Babilónia, faz-se acompanhar de David Menachen (nay), Elad Gabay (canon), Elad Harel (oud) e Avi Agababa (percussão).
Eis um registo do som característico de Yair Dalal e o seu oud
5. Por último, assinale-se o papel muito meritório da Orquestra Metropolitana de Lisboa que, em conjunto ou através dos seus solistas, dissemina uma oferta musical variada por inúmeros locais da sua cidade, em regra de forma generosa e gratuita.
Salientamos uma iniciativa nova, a dos Concertos à hora de almoço que se iniciam na próxima Sexta 28 de Outubro, ás 13 horas. Assim, quem comparecer
− nos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Lisboa poderá ouvir Solistas da Metropolitana num recital de Diana Tzonkova (violino) e Ercole de Conca (contrabaixo) onde se tocará de Daniele Furlan – Trivium e de Giovanni Bottesini – Gran duetto n.º 2.
− no Foyer do Cinema São Jorge poderá escutar Solistas da Metropolitana num recital de Stéphanie Manzo (harpa) e Fernando Llopis (vibrafone) com as seguintes obras de Johann Sebastian Bach :
– Prelúdio n.º 8 em Mi bemol maior, BWV 853 [do livro Cravo bem temperado]
– Prelúdio da Suite n.º 3 para Violoncelo em Dó maior, BWV 1009
– Sarabande e Double, da Partita n.º 1 em Si menor, BWV 1002 (arr. M. Grandjany)
– Suite francesa n.º 6 em Mi maior, BWV 817
– Jesus, alegria dos homens (arranjo de Dewey Owens), adaptação da Cantata BWV 147
Ouça-se aqui um exemplo da qualidade destes instrumentistas
Também noutros dias haverá concertos de Solistas da Metropolitana nos seguintes locais :
− a 27/10, às 18h30 no Teatro da Trindade – um recital de Fagote e Piano
− a 28/10, às 18h30 na Casa Fernando Pessoa – um recital de Fagote e Piano
− a 28/10, às 19h no Liceu Camões – um concerto “ À memória de um grande artista”
− a 29/10, às 16h no Palácio Nacional da Ajuda – um recital de Violino e Contrabaixo
− a 29/10, às 16h no Museu Nacional de Arte Antiga – um concerto “Suites Barrocas”
− a 29/10, às 17h no Museu do Oriente – um concerto “Músicas com histórias”
− a 29/10, às 19h no Corte Inglês repete-se o concerto “Músicas com histórias”
Para aceder ao programa detalhado, consulte-se http://www.metropolitana.pt/Outubro-2011-1554.aspx .
Cordas sobresselentes
No campo da música erudita
A 24 de Outubro, Segunda às 18h, decorre o 3º espectáculo do ciclo “A Europa de Liszt” que o Teatro Nacional de São Carlos promove no seu Foyer (de entrada livre), com apresentação do pianista João Paulo Santos.
Nesse mesmo 24 de Outubro, às 18h30, na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, ocorre o recital da jóvem pianista francesa Delphine Bardin (vencedora do Prémio Clara Haskil 1997) de cujo programa constam 12 Danses Allemandes e Sonate en si Majeur de Franz Schubert e, em homenagem a Franz Liszt, Deux années pelerinages suisses, Au bord d’une source, La chapelle de Guillaume Tell, Harmonies poétiques et réligieuses e Hymne de l’ enfanta son reveil (nº 6)
A 27 de Outubro, Quinta às 21h, no Teatro Tivoli, a Sinfonieta de Sofia apresenta diversas obras de Tchaikovsky como Lago dos Cisnes, Op.20, Concerto nº1 em Si Bemol Menor, Op. 23 e Abertura 1812, Op.49.
A 29 de Outubro, Sábado às 19h, o pianista canadiano Louis Lortie reproduz no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém o conteúdo da gravação que fez este ano para a Chandos homenageando Liszt e que contém os Années de pélerinage integral (de que abaixo reproduzimos um excerto) – considerada por muitos “o seu diário gráfico musical” (cadernos escritos entre 1836 e 1883).
Noutros campos musicais
A 24 de Outubro, no Teatro Maria Matos, às 22h, Will Oldham (voz e guitarra) interpreta o seu último alterego na personagem de Bonnie ‘Prince’ Billy, misto do gospel e do folk da música popular americana. Acompanham-no um grupo de músicos em estreia em Portugal ( Emmett Kelly voz, Angel Olsen voz, Danny Kiely contrabaixo, Shahzad Ismaily percussão, BenBote teclados e Van Campbell bateria).
A 25 de Outubro, no Teatro Villaret, às 21h30, o brasileiro Yamandú Costa, “a expressão máxima do violão de 7 cordas”, vem apresentar o seu mais recente CD Mafuá, um sofisticado álbum instrumental que vai do choro ao samba, passando pelo tango.
A 26 de Outubro, às 22h, é o momento de Adam Cohen, filho de Leonard Cohen, vir pela 1ª vez a Portugal ao Santiago Alquimista apresentar, num concerto intimista, o seu novo álbum Like a Man recém editado.
A 26 de Outubro, às 21h30, no Teatro Estúdio Mário Viegas é apresentado Zens, o primeiro álbum do Zurawski Ensemble, um sexteto criado em 2006 que propõe um novo conceito de conjunto de câmara, mistura das músicas portuguesa, clássica e brasileira. Integram-no além do seu director Sérgio Zurawski (composição, arranjos, guitarra eléctrica e guitarra clássica), Carla Santos (voz e violino), Cazé Costa (violoncelo), Manuel Luís Cochofel (flauta transversal), Kay Limak (guitarra clássica) e Pedro Zurawski (guitarra eléctrica).
A 27 de Outubro, às 21h30, no Institut Français du Portugal, a cantora Adriana Queiroz (acompanhada ao piano por Filipe Raposo) apresenta o projecto musical Tempo sobre alguns dos cantautores francófonos, desde Ferré e Brel a Barbara e Trenet.
Ainda a 27 de Outubro, às 21h, no TMN ao VIVO (antigo Armazem F), Jorge Palma apresenta o seu próximo álbum Com Todo o Respeito, onde colaboram Cristina Branco, Carlos Barreto, Flak, Carlos Bica, Bruno Vasconcelos e a banda Os Demitidos.
A 28 de Outubro, às 22h30 no Ondajazz, juntam-se dois músicos de jazz de excepção Jean Luc Fillon no oboé e contrabaixo com João Paulo Esteves da Silva ao piano para uma sessão de música improvisada de esperada qualidade.
Ainda a 28 de Outubro, às 21h30, no Institut Français de Portugal (Auditório Philipe Fridman), o músico caboverdiano Manuel Andrade “Tcheka” apresenta o seu último CD Dor De Mar , acompanhado de Lúcio Vieira baixo, Marcos Alves percussão e Danilo Lopes da Silva guitarra .
A 28 e 29 de Outubro, a partir das 23h30 no MusicBox, encerram as Jameson Urban Routes cujo ecletismo na paisagem musical se espelha bem na presença sucessiva de Old Jerusalem, Tom Vek, Joakim a 28 e Tigrala, Owiny Sigoma Band e The Very Best.
A 29 de Outubro, às 23h na Galeria Zé dos Bois, ocorre o espectáculo duplo Bardo Pond / Marcia Bassett & Margarida Garcia O grupo Bardo Pond conjuga a criação de canções ressonantes, na sua essência de voz (a da musa Isobel Sollenberger), guitarra acústica e flauta, com a capacidade de as “afogar num mar imenso de electricidade”. Marcia Bassett (guitarra) e Margarida Garcia divulgam o seu novo CD “The Well”, um album “rigorosamente escuro”.
No campo teatral e da dança
De 28 a 30 de Outubro (às 21h30 Sexta e Sábado, às 17h Domingo) o Teatro Municipal São Luiz recria o texto de Jean Cocteau La Voix Humaine/A Voz Humana numa concepção e encenação de Carlos Pimenta e Raquel Castro e uma interpretação de Emília Silvestre, com música dos Dead Combo. “Do seu quarto em desordem uma mulher telefona ao amante que acaba de a abandonar. O telefone chama uma voz sem corpo, sem local, mas plena de presença sonora …”
A 28 e 29 de Outubro, às 19h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, é apresentado em estreia absoluta o espectáculo Contos africanos a partir de Shakespeare numa encenação do polaco Krzysztof Warlikowski baseada nas peças Otelo, O Mercador de Veneza e Rei Lear, em que os seus heróis são “comparados” aos dos romances do sul-africano J. M. Coetzee (Prémio Nobel da Literatura 2003) cujos temas predilectos são a segregação, as desigualdades étnicas e sociais, e a violência. Participam os actores do Nowy Teatr de Varsóvia.
Também a 28 e 29 de Outubro, mas às 21h30, no Teatro Maria Matos, a Compagnie Nacera Belaza daquela coreógrafa argelina leva ao palco Le Cri / Les Sentinelles , duas criações onde, com a sua irmã Dalila Belaza, há “um convite à descoberta de uma dança minimal e austera, uma poética do vazio…”.
Conferências e debates
A 25 de Outubro, às 18h30, inicia-se na Biblioteca-Museu República e Resistência um ciclo de conferências intitulado Crise do Capitalismo : que alternativas ? com oradores de diferentes correntes políticas. Intervêm na primeira sessão Sérgio Ribeiro (economista) e Luís Fazenda (deputado), seguindo-se debate. Em posteriores sessões estarão Arsénio Nunes e José Gusmão (a 29/10), Manuela Silva e Rui Namorado Rosa (a 4/11) e Francisco Louçã, Rogério Amaro e José Carlos Marques (a 11/11). (entrada livre)
A 28 de Outubro, ocorre às 18h na FNAC Colombo um debate sobre a importância de Fialho de Almeida na literatura portuguesa na preparação do Colóquio Internacional Portugal no tempo de Fialho de Almeida (1857-1911) que se realizará de 22 a 25 de Novembro de 2011 organizado pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
No campo do cinema
Estreou recentemente com boa aceitação crítica o último filme de Alain Cavalier seleccionado já para o festival de Cannes 2011 Pater (2010), com Vincent Lindon e o próprio Alain Cavalier. “Um trabalho sobre o intimismo, o intimismo de um cinema feito com o que está à mão e ao seu alcance (aqui as pequenas câmaras digitais)”, segundo o realizador, onde “dois amigos bebem vinho do Porto em bares enquanto sonham com o filme que poderiam fazer. Juntos. De vez em quando, vestem um fato e põe uma gravata. Ligam a câmara e filmam-se como homens de poder. Para ver que confusão podem causar. Para se divertirem. Contando histórias imaginárias, onde se acabam por confundir a parte pessoal e a própria história … É tudo a fingir ?”.
Assinale-se ainda a estreia próxima (Quinta, 27 de Outubro) – para gáudio daqueles que mantêm um espírito jóvem − do último filme de Steve Spilberg As Aventuras de Tintin – O segredo do Licorne, saudado pela “invulgar fidelidade ao espírito da série de Hergé”. Dispensando mais descrições, juntamos o trailer para ajudar a rejuvenescer…
No campo das exposições
No Museu Calouste Gulbenkian abriu há dias (Quinta 21) a continuação da exposição apresentada em 2010, agora designada A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa 1840 – 1955 (Parte 2), a qual permanecerá até 8 de Janeiro de 2012.
Como expressa o catálogo “… a segunda parte será dedicada à modernidade do século XIX e às alterações fundamentais ocorridas na primeira metade do século XX. A renovação do interesse pela natureza-morta por parte dos artistas da vanguarda francesa será documentada através das obras dos Realistas e também da nova linguagem do Impressionismo. Em exposição estará (em particular) uma peça-chave deste contexto, a Natureza-Morta de Claude Monet, que faz parte das colecções do Museu Calouste Gulbenkian. A natureza-morta foi, no final do século XIX, tema que interessou de sobremaneira os pintores Pós-Impressionistas como Cézanne, Van Gogh e Gauguin, que estarão representados através de obras de referência …”. Para uma breve antevisão de algumas das obras expostas, consulte-se :
http://www.museu.gulbenkian.pt/serv_edu/perspectivadascoisas_vspor/index2.html
Boa semana, caros leitores !

