Pentacórdio para Sexta 26 de Outubro

por Rui Oliveira

 

   Na Sexta-feira, 26 de Outubro, na celebração dos 35 anos da Companhia Nacional de Bailado, estreia no Teatro Camões, às 21h, mais um espectáculo do Programa Anne Teresa De Keersmaeker onde, sendo esta (e uma das mais conceituadas coreógrafas contemporâneas) este ano “Artista na Cidade” (numa proposta de várias instituições culturais de Lisboa), serão interpretadas algumas obras que revelam o ecletismo da criadora e a forma surpreendente como sempre aborda a matéria sonora e a transforma com a sua linguagem de movimento muito própria e sedutora.

   Esta nova colaboração CNB/OML prolongar-se-á até 10 de Novembro.

   O programa inclui três peças coreográficas :

 

   1. Prelúdio à Sesta de um Fauno com coreografia de Anne Teresa De Keersmaeker e interpretação musical da Orquestra Metropolitana de Lisboa.

   É um fragmento da coreografia original de Vaslav Nijinski, com música de Claude Debussy, Prélude à l’après-midi d’un faune (na versão orquestral de Arnold Schönberg) numa co-criação de Mark Lorimer, Cynthia Loemij, Taka Shamoto, Kosi Hidama, Zsuzsa Rozsavölgyi, Tale Dolven, Kaya Kolodziejczyk e Elizaveta Penkóva.

   2. Grosse Fuge com coreografia de Anne Teresa De Keersmaeker e interpretação musical pela Orquestra Metropolitana de Lisboa da Grosse Fuge, op. 133 de Ludwig van Beethoven.

   3. Noite Transfigurada com coreografia de Anne Teresa De Keersmaeker e interpretação musical pela Orquestra Metropolitana de Lisboa da peça Verklärte Nacht, op. 4 de Arnold Schönberg.

 

   O vídeo abaixo mostra trechos dos ensaios coreográficos das três peças do espectáculo :

 

 

 

   No Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h30 desta Sexta-feira 26 de Outubro, num concerto de entrada livre, diversos Solistas da Orquestra Gulbenkian (a saber Bin Chao violino, Lu Zheng viola, Varoujan Bartikian violoncelo, Marc Ramirez contrabaixo, Esther Georgie clarinete, Vera Dias fagote e Jonathon Luxton trompa) interpretarão um programa composto por :

   Richard Strauss – As alegres travessuras de Till / Eulenspiegel, op. 28 e Ludwig van Beethoven – Septeto para Cordas e Sopros, op. 20.

   Obtivémos o registo “em câmara” do 1º andamento Adagio; Allegro com brio da peça de Beethoven tocada por este septeto “gulbenkiânico”(e é possível ouvir no YouTube os restantes seis andamentos) :

 

 

 

 

 

   Também na Sexta 26 de Outubro, o Centro Cultural de Belém é palco de diversos eventos de tipo diferente.

   No Pequeno Auditório aproxima-se do seu termo o ciclo «CCB no CCB – Camilo Castelo Branco : As paixões juvenis e o Amor de Perdição» havendo às 18h uma conversa com Pedro Abrunhosa sobre “A Canção : do Amor à Perdição”.

   À noite, às 21h, a cantora Maria Ana Bobone, que este ano apresentara um projecto inovador em que se acompanhava ao piano retomando uma tradição há muito perdida − pois no início do século XX era esse o acompanhamento do Fado −, vai responder ao desafio de cruzar esta sua nova sonoridade com a obra literária de Camilo Castelo Branco, apresentando-nos “Fados de Perdição”. Será um concerto exclusivo baseado num repertório “onde se canta o amor, a perdição e a paixão, seduzindo e despertando todos os nossos sentidos” com Bernardo Couto na guitarra portuguesa, Pedro Pinhal na viola de fado e Rodrigo Serrão no contrabaixo.

   Embora ainda não-camiliano, este fado recente Auto-Retrato evidencia bem a nova sonoridade da fadista :

 

 

   Por curiosidade, com o nome Perdição é possível ouvir aqui um bom fado de Cristina Branco :

http://youtu.be/htDuhRrrqO8

 

   Ainda no CCB, mas no seu Grande Auditório, às 21h, actuam os “Paus”, grupo composto por  Hélio Morais meia bateria siamesa e voz, Joaquim Albergaria meia bateria siamesa e voz, João Pereira  teclados e voz e Makoto Yagyu  baixo, teclados e voz que, segundo o folheto divulgatório, se terá tornado uma das bandas «a seguir» em 2010 depois do lançamento do seu EP “É uma Água” (que no concerto será distribuído ao público).

 

 

 

   Igualmente a 26 de Outubro (Sexta-feira), no Auditório da Reitoria da Universidade Nova (Campus de Campolide), às 21h, a Orquestra Metropolitana de Lisboa convidou o clarinetista e maestro “de excepção” francês Paul Meyer (acompanhante habitual de Maria João Pires ou Mstislav Rostropovich), titular da Orquestra de Sopros de Tóquio, para reger e tocar um programa que compreende :

 

        Carl Maria von Weber  –  Sinfonia n.º 2

        Gioachino Rossini  –  Variações para Clarinete e Orquestra

        Gioachino Rossini  –  Introdução, Tema e Variações para Clarinete e Orquestra,  da ópera “La donna del lago”

        Carl Maria von Weber  –  Sinfonia n.º 1

 

   Da perícia concertante de Paul Meyer como clarinetista podemos comprová-la na execução do início do Grand Duo Concertante, op. 48 também de Carl Maria von Weber :

 

 

 

 

   Lembramos a propósito que desde 22 a 28 de Outubro, Lisboa está a ser palco da primeira edição do “Lisbon Week”, um  novo projecto turístico e cultural no qual a música e a Orquestra Metropolitana têm lugar de destaque.

   Assim hoje (24/10) e na Sexta 26 de Outubro, às 18h no Largo Camões, a Orquestra de Sopros da Metropolitana (com Reinaldo Guerreiro director musical) tocará :   John WilliamsFanfarra Olímpica e Tema para a Bandeira Olímpica (arr. de Darrol Barry)    John WilliamsSaga Guerra nas Estrelas (arr. de Johann de Meij)    George GershwinUm Americano em Paris (arr. de Jean-François Taillard)    John WilliamsHarry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (arr. de Philip Harper)    Klaus BadeltPiratas das Caraíbas, suite sinfónica (arr. de John Blanken)

 

   No mesmo Largo Camões, às 20h e integrado também na “Lisbon Week”, tem havido todas as noites desde Terça 23 até Sábado 27 de Outubro, a projecção do filme “Lisboa e o Tejo” de Rita Nunes com o acompanhamento de Ricardo Parreira guitarra portuguesa e a Orquestra Metropolitana de Lisboa com Cesário Costa na direção musical.



 

 

   Exibe-se no Maria Matos Teatro Municipal, às 21h30, com estreia nesta Sexta 26 de Outubro (e repetição no dia seguinte, Sábado) a peça coreográfica “E eu vi o Cordeiro no Monte Sião” ( no original “Ich sah: Das Lamm auf dem Berg Zion, Offb. 14,1”) − o versículo que dá o título à criação de VA Wölfl com a sua companhia Neue Tanz de Düsseldorf.

   Diz o Goethe-Institut, co-produtor do espectáculo no âmbito do seu programa de Coreografia Contemporânea Alemã que : “ Não é uma surpresa que um dos coreógrafos mais visionários e destemidos da dança alemã se interesse pela poesia alucinatória do Apocalipse. As suas criações são caracterizadas por um imaginário radical e perturbador, algures entre o surrealismo e o hiper-realismo … Não é coincidência que o som oco – um clique demoníaco – de 17 bailarinos a destravar as suas pistolas Walther PPK e a disparar sobre os seus próprios joelhos soe igual a um obturador da câmara”.

   E acrescenta : ” Com uma precisão intransigente, o coreógrafo desconstrói a banalidade da vida quotidiana, expondo o vazio e a estigmatização de uma sociedade obcecada com a segurança e encurralada nos seus próprios medos”.

 

  

 

   Também no Teatro Maria Matos tem início Sexta 26 de Outubro o ciclo “Cultura e a Produção do Mundo : derivas, derivativos e devires”, cujo curador é André Lepecki.

   Justifica-o este : «Vivemos num momento em que a economia global, a diversidade cultural multipolar e a ideologia neoliberal se agenciam na produção de um novo paradigma “paracolonial” (utilizando uma expressão de Aimé Césaire) onde se prenuncia o muito falado “fim da política”. Este entrelaçamento singular de forças obriga a pensar como o mundo produzido pela lógica implacável dos mercados e suas derivas erráticas, derivativos virtuais e performances de poder requer a formação de alternativas. Em resposta ao mundo neoliberal multipolar, com as suas reinventadas diversidades culturais e as suas massacradas e colonizadas forças de cultura, propõe-se um renovado commitment to theory (para usar a expressão de Homi Bhaba) aliado a um commitment to act (parafraseando Hanna Arendt).

    Ou seja: uma renovada aliança entre a acção política e o fazer cultural, ligada ao pensamento e à arte e orientada para a produção de outros modos de viver, experimentar e fazer. Trata-se, antes de tudo, de saber produzir devires».

   A 1ª conferência terá lugar no Mmcafé às 18h30 sendo orador André Lepecki para introduzir o ciclo falando sobre “Fazendo mundo(s) – políticas da performance na multipolaridade planetária”. A entrada é livre.

   (para o conhecer integralmente fazer aqui download do programa )

 

 

 

 

   Por último, inaugura-se nesta Sexta-feira 26 de Outubro na Galeria de Exposições Temporárias do Edifício Sede do Museu Calouste Gulbenkian a exposição “Idades do Mar” (curador: João Castel-Branco Pereira) que permanecerá Até 27 de Janeiro próximo.

   Diz o seu texto introdutório : “Partindo de uma sondagem histórica da representação visual do mar, a mostra procura identificar os temas fundadores que levaram à sua extensa e recorrente representação na pintura ocidental. A exposição desenvolverá o conceito que dá título ao projeto em seis secções distintas: As Idades dos Mitos, As Idades do Poder, O Mar e o Trabalho, Tormentas e Naufrágios, Contemplação e Viagem e O Mar como Símbolo.

   Van Goyen, Lorrain, Turner, Constable, Friedrich, Courbet, Boudin, Manet, Monet, Signac, Fattori, Sorolla, Klee, De Chirico, Hopper, são alguns dos 86 autores presentes na exposição com obras de superior qualidade. Também a pintura portuguesa, através de Henrique Pousão, Amadeo de Souza-Cardoso, João Vaz, Maria Helena Vieira da Silva e Menez, entre outros, contribuirá para esta abordagem exaustiva e por vezes inesperada de um motivo tão fascinante – e simultaneamente com especial significado na história e cultura portuguesas”.

   Do site do Museu retirámos (agradecendo) as imagens abaixo que permitem divulgar tal exposição.

  

Claude MONET Hôtel des Roches Noires 1870  Édouard MANET A evasão de Rochefort 1881  Claude LORRAIN Paisagem com o embarque de Santa Paula 1604-82

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui )

 

 

 

 

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