Dany-Robert Dufour, um professor de filosofia na Universidade de Paris , autor de uma série de títulos de referência, vem, num artigo publicado sábado passado no Le Monde, levantar uma série de questões pertinentes relativamente à grande crise que estamos a viver. Avisa-nos para o carácter enganador dos diagnósticos que reduzem esta crise a uma dimensão económica e financeira. Aceitar este diagnóstico, implicaria aceitar que a solução se encontra inteiramente no âmbito das ciências económicas.
Ora, o que está em causa nesta crise vai para além dos buracos financeiros, das dívidas, dos bancos. O que está em causa são os princípios pelos quais esta sociedade se rege. Dufour alerta os cidadãos para o facto de, sem o saberem, viverem num novo totalitarismo, decorrente do imperialismo teórico do economicismo, neo e ultra – liberal. Acrescenta que, após o impasse do fascismo, e após a queda dos regimes socialistas, será a vez desse o ultra e neoliberalismo caírem também.
A Europa já viveu ao longo dos seus milénios de história outros momentos em que soube sair do cárcere de dogmas que uma estrutura social nquilosada sempre possui. Abandonar o paradigma (que parecia eterno) da sociedade medieval e da Escolástica e sobre as suas ruínas construir
os alicerces do Renascimento e do Humanismo, é uma prova dessa capacidade. Esta crise pode ser uma oportunidade para pensarmos num futuro possível.
E para o começarmos a edificar.

