Diário de bordo de 9 de Outubro de 2010

 

Quem segue o nosso blogue com alguma atenção, saberá que dedicamos à Economia um espaço importante que, em alguns dias, chega a ultrapassar os 20%. Creio que todos temos consciência do peso desta área do saber na construção do futuro imediato e, principalmente, na superação das dificuldades que o mundo, e os países europeus em particular, atravessam. Porque não se trata de discussões sobre temas que podem vir a ter muita importância, mas que não afectam o nosso quotidiano – a ameaça de a China ultrapassar os Estados Unidos e assumir a hegemonia mundial. São questões que se perfilam no horizonte, mas que não afectam a nossa realidade.

 

O que preocupa as pessoas hoje em dia é se estamos à beira de uma recessão e, parecendo que a resposta é dramaticamente afirmativa, logo surge um leque de questões – muitas empresas vão encerrar as portas, o desemprego vai subir em flecha, os estados não poderão garantir o pagamento das pensões… É toda uma espiral descendente cujo desenho se adivinha sem necessitar de recorrer à imaginação. E, num cenário desses, há toda uma série de questões práticas a resolver.

 

Há dias, o nosso colaborador Carlos Leça da Veiga, que não é economista, mas um médico de excelência, fazia um diagnóstico claro e prescrevia uma terapêutica – não pagar a dívida «odiosa». Na verdade o problema que enfrentamos é da área das ciências económicas e é útil que os especialistas em macroeconomia nos vão explicando os mecanismos da recessão. Um falso corretor, «investidor independente» dizia numa entrevista à BBC, entre outras coisas todas elas verdadeiras, que esta crise é como um cancro e não vai curar-se por si, vai desenvolvendo-se, crescendo de dia para dia. Mais do que diagnósticos, úteis e mesmo indispensáveis, necessitamos de soluções que nos ajudem a navegar e enfrentar a tempestade que aí vem. É um debate que propomos. O contributo dos nossos economistas será precioso, mas o problema é de todos.

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