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Faz hoje 176 anos que nasceu Mark Twain. Por João Machado


 

 

Samuel Langhorne Clemens nasceu em 30 de Novembro de 1835 em Florida, no estado do Missouri. Cresceu em Hannibal, também no Missouri, mesmo junto ao rio Mississípi. Trabalhou como tipógrafo e jornalista, e também a bordo de embarcações, chegando a ser piloto. Começou a assinar os seus escritos como Mark Twain aos 27 anos, quando se tornou jornalista profissional, adoptando o grito dos barqueiros do rio, ao encontrarem águas seguras para navegar. Para eles mark twain queria dizer: encontrei duas braças de profundidade (two fathoms). Pode-se dizer que, deste modo, um grito deu a volta ao mundo, muito mais que duas braças.

 

Clemens viveu numa época de grande evolução política e social, com enormes contradições, que a sua obra reflecte de vários modos. Por isso, Mark Twain é tido como o pai do realismo americano. O humor que impregna os seus escritos, a cor local que conseguia transmitir, fez com que alguns achassem que não era um escritor muito sofisticado. Contudo, o seu estilo simples e directo permitia-lhe transmitir aos leitores a essência dos dramas da vida do tempo. No Huckleberry Finn (1884), talvez o seu livro mais famoso, e sem dúvida uma obra prima, a solidariedade de Huck com o escravo Jim (talvez o verdadeiro herói do livro), mantida no meio de situações muito complexas, retrata bem a sociedade (incluindo os estilos de vida e os modos de falar) da região do Mississípi, e a iniquidade do problema da escravatura. A importância desta obra fez com que um crítico literário como Walter Allen (1911 – 1995), em The English Novel (1954), afirmasse que libertou a ficção americana do domínio da literatura especificamente inglesa.

 

Mas Mark Twain escreveu uma obra vasta, que inclui a sátira social, como é o caso de The Gilded Age (1874, em conjunto com Charles Dudley Warner), o romance histórico, como The Prince and the Pauper (1881), A Connecticut Yankee at King Arthur’s Court (1889), Personal Recollections of Joan of Arc (1896), contos, e até incursões no campo da filosofia. A sua popularidade foi grande, até porque o seu estilo pessoal, despretensioso, irreverente, com um bom humor constante, com muita iniciativa, enfrentando com valentia as agruras da vida, caía bem entre os seus compatriotas. Nos meios académicos já não seria tão bem considerado, mas, ao que parece, isso não o preocupava muito. E muitos escritores do século XX consideram-no como uma influência marcante, a começar por Hemingway. Por seu lado, Mark Twain, desdenhava os românticos, incluindo Walter Scott, Fenimore Cooper e Byron, ao que nos informa N. Foerster, na sua Image of América (1962),  preferindo os humoristas ingleses do século XVIII, como Henry Fielding, Tobias Smollett e Oliver Goldsmith.

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