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7 – BLOGOCONTOS Futuro do pretérito condicional – por Collete Martins

Com este blogoconto de Collete Martins, abrimos este novo horário de divulgação. Collete apresenta-nos o seu “Futuro do pretérito condicional”. Tem 2962 caracteres. Façam o favor de ler:

 

 Lera assim na Wikipédia:

 

“O ”’Sonho Americano”’ foi inventado pelo histórico James Tuslow Adams em 1931. Apesar de o significado da frase ter evoluído ao longo da história, para algumas pessoas, o sonho americano é a oportunidade de alcançar uma maior prosperidade material que não foi possível, no antigo país, ou no país de origem; para outros, é a oportunidade para os seus filhos se desenvolverem e receberem uma educação e oportunidades de emprego; para outros, é a oportunidade de fazer as escolhas individuais, sem os constrangimentos da classe, de geração, religião,raça, orientação sexual, ou grupo étnico.”

 

Concluiu que era sonho de uns e de outros, neste mapa rectangular, mas que tinha de ser mais que isso. Tinha de ser outro o conceito…

 

Não almejava a maior das prosperidades, apenas um pouco mais que o suficiente, nunca tivera problemas de emprego, não se arrumava em classes, não era nem rica nem pobre, a raça, religião, escolha sexual, tudo do mais típico e insuspeito.

 

De facto, e pensando melhor, não sofria de “sonho americano”.

 

Era mais uma vontade de “back in time”, (mas com internet  e todos os modernos apetrechos de cozinha).

 

Voltar a quando as senhoras eram donas de casa ( mas agora por opção, e sem marido a mandar e desmandar), e moraria no campo ( rodeada de acessos à cidade).

 

Faria a lida da casa, levava os meninos à escola, às actividades no fim do dia, cozinhava e às seis da tarde a família reunia-se à mesa a jantar. Faria ginástica.

 

Trabalharia em part-time, na sua empresa bem sucedida, (de pequena dimensão, amiga do ambiente e modelo de responsabilidade social) e o ordenado nem era o mais importante, porque o quintal era frutuoso e o marido garantia o resto que faltava. Ainda dava  tempo para benfeitorias…

 

Seria a chefe exemplar, e os funcionários da lucrativa e bem gerida empresa seriam mais um elemento da família, já de si numerosa, trabalhando com afinco, em horário flexível, altamente motivados para o sucesso de um projecto comum.

 

Os dias seriam formatados e sem grandes sobressaltos, e passariam assim…

 

A criancinhas, em escadinha, não fariam birras, arrumariam os quartos e estudariam um bocadinho ao fim do dia. Brincariam na rua com os vizinhos, subiriam às árvores  e andariam de balouço, num jardim meticulosamente parado, por um jardineiro reformado, que apanharia as frutas, os ovos, mataria as galinhas e os coelhos.

 

Tomariam banho e jantariam de tudo, de todos os vegetais do quintal, tudo comidinha caseira ( apesar de os peixes e algumas carnes poderem ser de “aviário”).

 

As visitas dos amigos seriam constantes.

 

Ao pôr do sol, as criancinhas iriam para a cama e dava tempo para ficar a ler na varanda ( sem mosquitos, sem frio), ou a ver televisão – sem adormecer .

 

Se fosse Verão, quem sabe um banho nocturno na piscina morna, um marido meigo por companhia!

 

Todos as noites, os lençóis seriam de linho, lisos e perfumados, e o sono seria profundo e relaxante,

 

Os Domingos seriam de roupa nova e toalha branca na mesa, e um belo assado no forno, sobremesa especial.

 

Quando se saísse da missa, enquanto os miúdos brincavam e corriam, os vizinhos poriam a conversa em dia.

 

Os sábados de brincadeira, limpezas e jardinagem.

 

Os outros dias, bom, seriam dias sempre bons…

 

“Oh, man!, já passou o corte, vou ter de ir à outra portagem e voltar para trás! Mais quarenta e sete cêntimos e mais dezoito minutos que não tenho!.

 

É sempre a mesma treta. Isto de vir em piloto automático…Chega prá lá, pá, eu já ia nesta faixa!

 

 

 

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