O PORQUÊ DE SERMOS MANGUÇOS – COMO SURGIU ESTE NOME
Era norma que todos os Batalhões que passavam por Angola, adoptassem o nome de um animal mais ou menos sonante, aguerrido, feroz etc. etc., para servir de símbolo e identificar a bravura dos seus soldados.
Havia os Lobos, Leões, Tigres, Leopardos, Jacarés, Gorilas. Pumas, Águias, Leopardos, Trinca Turras etc. Estávamos nós em Quitexe há pouco tempo, quando se começou a pensar num animal ou legenda que servisse de símbolo ao nosso Batalhão.
Havia um Sargento que tinha no seu quarto um bichinho tipo doninha a que ele chamava de “Manguço”.
Ora este bichinho brincava que se fartava, metia-se por dentro das botas, nas gavetas etc. Este animalzinho era vivíssimo e ao mesmo tempo simpatiquíssimo. De uma doçura a toda a prova.
Por curiosidade procurou-se saber o que era um Manguço.
Foi necessário recorrer a dicionários e enciclopédias para ficarmos a saber que o Manguço também se chamava Mangusto conforme o local onde tivesse nascido, em África ou no segundo caso o Brasil.
E então ficamos a saber que o referido bichinho era carnívoro que se fartava e que a sua alimentação preferida eram as cobras, fossem elas simples cobrinhas tipo lagartixa à maior pitão ou jibóia que lhe aparecesse e pelo meio também marchavam as mais venenosas que existissem tipo surucucu ou do género.
Com todas as premissas, constatamos que nós os do BCaç 443 éramos parecidos com o Manguço. Como ele éramos agressivos e determinados no mato, mas no recôndito das nossas casernas ou dos nossos quartos éramos as pessoas mais pacíficas, alegres, de uma camaradagem a toda a prova, e por isso gostamos do nome Manguço, e logo ali ficou decidido que este animalzinho passaria a ser a “vera esfinge” do nosso emblema e guião.
Depois de ter sido escolhido aquele “animal feroz”, começou de imediato a estudar-se o desenho para o emblema e guião do Batalhão assim como a simbologia do mesmo.
Começamos por desenhar o mapa de Angola, e sobrepondo-se a este uma enorme cobra e um esguio manguço a filar a referida cobra pelo gasganete.
Mas este desenho sugestivo só por si não chegava. Era necessário arranjar a simbologia que “dissesse” a quem o visse o que significava. Depois de se pensar bem e de ouvir várias sugestões e rebuscando alguns conhecimentos de heráldica (ciência que estuda os brasões), decidimo-nos por: Um fundo branco, que simbolizava a paz para aquela gente, a paz que nós pretendíamos trazer para Angola pois esse era o ideal porque nós lutávamos. As apresentações em massa foram o corolário daquilo que atrás se referiu.
Sobre esse fundo, colocamos um mapa de Angola pintado de vermelho, que em heráldica significa guerra, mas também para nós significava o sangue derramado pelas gentes inocentes de Angola e pelos nossos soldados que tombaram em defesa daquela parcela de Portugal. Sobreposto ao mapa de Angola, uma enorme cobra vinda do Congo (a ponta do rabo assim o indica) simbolizava o inimigo, e um esguio Manguço vindo de além-mar (como a ponta do rabo também o indica) era o símbolo das nossas tropas. O Manguço atacava a cobra filando-a pelo cangote, simbolizando a nossa luta contra o inimigo.
Na base do emblema um listel azul com os dizeres BCaç 443 a branco.
Quando o emblema ficou pronto, foi fácil fazer o desenho para o guião.
Feito o quadrado, foi colocado nos quatro cantos o símbolo da Artilharia (dois canhões cruzados), da Infantaria (duas espingardas cruzadas) e uma trompa de caça (símbolo dos caçadores.)X Ao longo dos quatro lados divisões em bico de cor preto e vermelho, símbolo da Infantaria a que o nosso Batalhão pertencia.
Ao centro está colocado o emblema do Batalhão.
