Já lá vai um bom pedaço de anos, num congresso (ou coisa parecida) da OLIVA Comercial (com agências em todo o país), ouvi, do meu chefe e Amigo Dr. Renato Figueiredo, algo como:
A PUBLICIDADE DEVE EDUCAR
Se não foram estas as palavras, a ideia andava lá muito perto.
Frequentissimamente sou levado a recordar (com que saudade!) o meu Bom Chefe e Bom Amigo (que julga que já lá está mas ainda cá está, muitos são os Amigos que o testemunham).
Ao ver televisão, então, quanto me lembro do caráter educativo da Publicidade que essa Universidade do Povo cultiva com afinco e com o maior proveito para a atenta população! Para este nosso Bom Povo, sequioso de aprender bons modos! Quer a fonte de tais ensinamentos seja o livro da falecida Baronesa X, quer seja o da Ana São Gião, de outra muito conhecida perita das boas maneirinhas mas de cujo nome agora não me lembro.
Só alguns apontamentos, entre muitos que têm contribuído para a minha requintada educação e para eu saber como me comportar quando sou (tão frequentemente!) convidado para as reservadas receções no Palácio de Belém, com o Casal Silva como anfitrião, ela, a Cavaca, primorosa no sorriso revelador de tanta inteligência, ele, o Cavaco, excecional nas afirmações, sempre ponderadas e criteriosas, a respeito de qualquer assunto, principalmente de qualquer assunto, seja ele (o assunto) qual seja! Formidáveis!
Primeiro exemplo (não por ordem de importância):
*Já há tempos que não vejo aquele magnífico modelo de novo-riquismo do casal a quem dizem qual o preço – aparentemente baixo – de um automóvel. E a parvalhona exclama:
– Só X mil e tantos euros?! Nem pense que vamos gastar tão pouco!
*Outra maravilha (e logo do Ricardo Araújo Pereira, de quem eu esperava muito melhor!).
Aquela em que ele fala do filme que faz da netinha a meter os dedinhos numa tomada de eletricidade.
Exemplar! Quantas criancinhas poderão ser eletrocutadas, com tão eficiente exemplo?
*Uma das mais deliciosas é a publicidade julgo que a uma margarina ou a uma manteiga.
O namorado de uma cretininha mastiga de boca aberta, a fazer inveja ao javardo mais javardo.
E ela, enlevada, babada de gozo e de paixão:
– Tão querido! Parece mesmo um hamster, a mastigar com a boca cheia!
* Para finalizar (mas há mais!!!):
Como elogio a determinado detergente, mostram-se várias peças de roupa suja, enodoada (de criança, se a memória não me falha).
E, no fim de muita javardice, atua o detergente e ouve-se o publicitário concluir, regalado de gozo pela maravilha de conclusão a que chega, depois das bacoradas todas:
– É bom sujar-se!~
Ó criancinhas do meu País – país onde já nada tenho… -, como a Universidade do Povo vos educa, vos dá os exemplos mais… exemplares, os conselhos mais… aconselháveis, mais dignos de serem seguidos!
Viva a nossa Televisão! Viva a Publicidade!
