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A honestidade é uma virtude que deve revestir todos os homens dignos

Comentando um post que publicámos no passado sábado, onde divulgávamos a atribuição, pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, de subsídios no montante de dez milhões de euros, recebemos do Senhor J. Dias Coutinho o seguinte comentário inserido junto do post “Dez milhões de euros para os «ganaderos»”. Diz o seguinte:

 

Repito aqui o que já escrevi noutro blogue que repetiu esta propaganda. Exmo. Senhor, É natural que na propaganda política e social, a informação seja usada da forma que mais convém ao propagandista. Dado que estou mais ou menos dentro do assunto a que o senhor se refere, não posso de deixar de expressar a minha surpresa ao ver os números que apresenta. A honestidade é uma virtude que deve revestir todos os homens dignos. Em nome dessa honestidade, peço-lhe que me explique os valores a que se refere. Foram atribuídos aos criadores só pela criação de toiros bravos ou são o conjunto de subsídios atribuídos a empresas agrícolas em que o seu proprietário, além da criação de toiros bravos, desenvolve outras actividades agro-pecuárias?

 

Sem mais,

 

J. Dias Coutinho

 

Recebemos a informação (colhida no Diário da República do dia 21 de Março de 2012) de que o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas atribuíra no ano de 2011 subsídios às empresas envolvidas no negócio da tauromaquia. Se a informação está incorrecta, agradecemos que faça o favor de nos esclarecer.

 

Não somos propagandistas de coisa nenhuma – neste espaço cada um defende aquilo em que acredita. E acreditamos que torturar animais mereceria punição severa e exemplar e nunca subsídios.

 

Se os subsídios em causa não foram de dez milhões (9.823.004,34, para sermos rigorosos) ou se apenas parcialmente cobriram uma actividade que consideramos criminosa, corrigiremos a informação embora o simples facto de haver dinheiros públicos para uma actividade criminosa na perspectiva de grande maioria dos cidadãos – há uma sondagem que fala em 71%, mas não gostamos de invocar sondagens –  seja merecedor da nossa indignação.

 

Conhecemos os argumentos de quem condena e de quem aprova, não vale a pena repeti-los. A lei vigente permite as touradas e, pelos vistos, são consideradas actividade merecedora de apoios institucionais. Porém, em contrapartida a Constituição da República permite que se conteste as leis, respeitando-as. Do erário público, um Instituto criado para financiar Agricultura e Pescas distribui dez milhões de euros por agricultores que criam o chamado gado bravo, entre outras coisas – diz o senhor, e acreditamos.

 

Porque a honestidade e a dignidade formais de quem defende ou de quem condena, não são postas em causa – porém, aos nossos olhos, seja qual for a percentagem das verbas atribuídas que cobre um crime, é dinheiro gasto indevidamente. Na nossa concepção de agricultura e pescas, a criação de gado bravo não entra – para o senhor é óbvio que deve entrar. Se dizemos que matar animais, fazendo disso um espectáculo, é cometer um crime de lesa – Humanidade, os senhores acham que é uma afirmação ridícula – o quem têm os touros a ver com a Humanidade? Temos maneiras diferentes de ver a Humanidade – esgrimir conceitos que tendo valor para nós, não o têm para quem está no lado oposto? Não merece a pena. Faça favor de corrigir os números.

 

A realidade não a podemos corrigir, nem eu nem o senhor. Para mim esta fotografia é uma prova de que os senhores estão a cometer crimes – para o senhor será o quê? Demagogia? Saiba que não a ponho em sua intenção (até poderá encontrar beleza naquilo que nós consideramos horrível !). Ponho-o em intenção dos que sendo teoricamente contra as touradas nada fazem, de facto, para que elas acabem. Pactuamos com o pesadelo, com a injustiça e com o crime. E com os nossos impostos ajudamos a que o crime sobreviva.

 

 

 

  

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