A história da fundação de Roma é a de Rómulo e Rémulo, meninos abandonados e criados por uma loba.
Esta estátua, dizia-se que do tempo dos etruscos, mas que estudos recentes parecem indicar uma vida mais recente, é reconhecida mundialmente. E é muito bonita. Os dois meninos que mamam nas tetas da loba foram acrescentados na idade média, da mesma época afinal da estátua.
É uma história bonita para início de uma cidade, esta história de resiliência de duas crianças. Porque depois, a da luta entre eles já segue noutro patamar.
As histórias de crianças abandonadas são muitas e variadas em todas as culturas. Nalgumas isso acontece em idade mais avançada (6/7 anos) e psicologicamente correspondem a um estadio de desenvolvimento em que as crianças se confrontam o terem de deixar de depender tanto dos pais, em que têm que encontrar soluções para enfrentarem sozinhas a realidade.
No caso de Rómulo e Rémulo ainda eram bebés e necessitaram de alimento que lhes terá sido dado pela loba que aqui representa não a natureza bondosa, mas o lado biológico do sustento materno, visto que ela só isso lhes poderia dar. Situações como estas deram origem aos “meninos selvagens” que poderei abordar noutra altura.
O conto de Grimm “Hansel e Gretel”, mais conhecido pela “casinha de chocolate” coloca duas crianças abandonadas pelos pais por as não poderem sustentar. Constos tradicionais portugueses (“os meninos perdidos” e “os dois pequenos e a bruxa”, por exemplo) também nos falam de uma situação semelhante.
A argúcia das crianças envolvidas, a sua vontade em não se sujeitarem ao trágico destino, aquilo a que hoje se chama “resiliência”, faz com que as personagens das histórias consigam superar os obstáculos com que se vão deparando e consigam chegar a um final feliz em que “viveram felizes para sempre”.
