
Daniel Faria – Portugal
( 1971 – 1999)
DEPOIS DAS QUEIMADAS AS CHUVAS
Depois das queimadas as chuvas
Fazem as plantas vir à tona
Labaredas vegetais e vulcânicas
Verdes como o fogo
Rapidamente crescem em crateras concisas
E seiva
E derramam o perfume como lava
E se quiséssemos queimar animais de grande porte
Eles não regressariam. Mas a morte
Das plantas é a sua infância
Nova. Os caules levantam-se
Cheios de crias recentes
Também os corações dos homens ardem
Bebem vinho, leite e água e não apagam
O amor
(de “Explicação das Árvores e de Outros Animais”)
Poesia complexa e torrencial, interrompida pela morte prematura do Autor aos 28 anos, e onde é possível vislumbrar a sombra de Herberto Helder. Obra poética: “Oxálida” (1992), “Uma Cidade com Muralha” (1992), “A Casa dos Ceifeiros” (1993), “Explicação das Árvores e de Outros Animais” (1998), Homens que são como Lugares Mal Situados” (1998), e “Dos Líquidos” (2000), de publicação póstuma.

