Rosalia de Castro – duas versões musicais de Negra Sombra
Em 1880, como uma espécie de continuação de “Cantares Galegos”, Rosalia de Castro publica um novo livro de poemas em galego, “Follas Novas” (Folhas Novas).
Dele faz parte o poema “Negra Sombra” (publicado aqui ontem), que pela sua força e beleza é lido, declamado e cantado por muitos. Foi primeiro musicado pelo compositor e músico galego Xoán Montés Capón que o associou ao alalá, canto popular galego arrítmico considerado por muitos como a forma mais antiga e característica da música tradicional galega.
Aqui ficam duas interpretações de Negra Sombra, para ouvir e voltar a ouvir vezes sem conta:
A da asturiana Luz Casal sente-se na pele e faz chorar de emoção:
Igualmente tocante é a do músico galego Bibiano:
Folhas Novas pode ser encomendado na Imperdível, a loja electrónica da Associaçom Galega da Língua, em http://www.imperdivel.net/.
«Ediçom e notas de Elvira Souto, prólogo de F. Salinas Portugal. Estamos ante uma poética que afunda nos sentimentos, na saudade e que tem frequentemente, por horizonte, a fronteira do próprio ser.
O achegamento a umha obra como Folhas Novas, está sempre cheo de riscos; o primeiro deles advém a escrever um discurso sobre os múltiplos discursos que sobre Rosalia se fixérom, o outro existe se pretendemos conferir-lhe ao nosso discurso um valor universalizante do que nós queremos ficar à marge.
É a nossa umha leitura “individual”, o fruto de um diálogo enormemente gratificante com a própria obra rosaliana
Num começo o poemário concebeu-se como uma continuação de Cantares Gallegos: 40% dos poemas de Follas Novas têm afinidade com o texto publicado em 1863, enquanto o restante das composições apresentam um diferente espírito poético motivado pelo afastamento da terra, as desgraças familiares e as doenças físicas e morais.»
