Rosalia de Castro – Negra Sombra
Em tudo estás e tu és tudo,
Pra mim e em mim mesma moras,
Nem me abandonarás nunca,
Sombra que sempre me assombras.excerto do poema
Negra Sombra
Ainda Rosalia, sempre Rosalia…
Em 1880, como uma espécie de continuação de “Cantares Galegos”, Rosalia de Castro publica um novo livro de poemas em galego, “Follas Novas” (Folhas Novas).
Dele faz parte o poema “Negra Sombra”, que pela sua força e beleza é lido, declamado e cantado por muitos. Foi primeiro musicado pelo compositor e músico galego Xoán Montés Capón que o associou ao alalá, canto popular galego arrítmico considerado por muitos como a forma mais antiga e característica da música tradicional galega.
Negra Sombra
Cando penso que te fuches,
Negra sombra que m’asombras,
Ó pé d’os meus cabezales
Tornas facéndome mofa.
Cando maxino que’ês ida
N’o mesmo sol te m’amostras,
Y eres a estrela que brila,
Y eres o vento que zóa.
Si cantan, ês tí que cantas,
Si choran, ês tí que choras,
Y-ês o marmurio d’o río
Y-ês a noite y ês a aurora.
En todo estás e ti ês todo,
Pra min y en min mesma moras,
Nin m’abandonarás nunca,
Sombra que sempre m’asombras.
Negra Sombra
Quando penso que te fuches,
Negra sombra que me assombras,
Ò pé dos meus cabeçales
Tornas fazendo-me mofa.
Quando magino que és ida,
No mesmo sol te me amostras,
I eres a estrela que brila,
I eres o vento que zoa.
Si cantam, és ti que cantas;
Si choram, és ti que choras;
I és o marmúrio do rio
I és a noite i és a aurora.
Em todo estás e ti és todo,
Pra min i em mim mesma moras,
Nin me abandonarás nunca,
Sombra que sempre me assombras.
in Folhas Novas,
edição da AGAL – Associaçom Galega da Língua
Amanhã, aqui, ouça o poema de Rosalia musicado.



Um dos poemas de Rosalia que mais gosto.