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RUMORES DE ESCÂNDALOS ACOMPANHARAM A DEMISSÃO DO PRESIDENTE EXECUTIVO DO CITIGROUP, por SYLVAIN CYPEL

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

 

 Sylvain Cypel, correspondente  em Nova York

Em Abril, a Assembleia geral do banco recusou os emolumentos de Vikram Pandit, Presidente executivo (CEO) do Citigroup.

A partida inexplicada e brutal  de um grande patrão, acompanhada neste caso também do seu principal adjunto, dá sempre aso a grandes  especulações. Anunciada na terça-feira, 16 de Outubro, que Vikram Pandit, de 55 anos, CEO do Citigroup – 266 000 funcionários, 66 mil milhões em activos – esta informação surpreendeu tanto mais  que no dia anterior, este havia anunciado um lucro trimestral certamente pouco atraente, mas que felizmente surpreendeu os investidores, pois  muitos deles estavam à espera  de bem  pior.

Demitido à americana – duas horas depois do comunicado  oficial, o seu nome desapareceu do site do banco como também da  barra lateral da Wikipédia, que reúne informações-chave do Citigroup… -, o senhor . Pandit ter-se-ia a duramente confrontado durante vários meses com o seu  Conselho de administração.

As tensões subiram na reunião anual do Citi, em meados de Abril, quando os seus emolumentos (15 milhões de dólares em 2011) tinham sido recusados  pela maioria dos accionistas. O caso deixou  surpreendidos os dirigentes  do Citigroup que bem se queriam esquecer de  que dos grandes bancos nacionais, o deles tinha sido menos bem sucedido do que os dos  seus concorrentes para restaurar o  valor da sua acção desde o afundamento financeiro geral do Outono de 2008.

O meio bancário  ainda pensava que ao  reorientar o seu banco sobre as suas actividades comerciais, mesmo se este banco   tivessem descido  do primeiro  lugar    para o de  terceiro maior banco nos Estados Unidos, o Sr. Pandit tinha  feito o que era necessário. Em todo o caso  ele reabsorveu os problemas mais importantes de uma instituição durante muito tempo vista e alcunhada   como o paquiderme, “grande demais para ser deixado à solta “, fazendo pesar, como tal, um “risco sistémico” para o mundo das Finanças.

FUTURO SOMBRIO

Mas, aos olhos dos administradores do Citi, o CEO e o seu chefe de operações, John Havens, cometeram dois “erros”, além do episódio do grande volume de emolumentos que queriam  receber como compensação anual. Em Março, eles queriam aumentar os dividendos para os accionistas. Mas o Citi  tinha falhado os novos “testes de resistência ” impostos pelo Federal Reserve  e esta Instituição tinha-os  proibido dessa distribuição de dividendos . E em Setembro, o Sr. Pandit tinha-se  separado das  suas acções na corretora Morgan Stanley Smith Barney, tinha-as vendido a  um preço considerado muito decepcionante, enquanto os activos do grupo se tinham depreciado de US $ 4,7 mil milhões de dólares.

Explicações que parecem demasiado curtas  para muitos analistas, em que muitos prevêem um futuro sombrio para o banco. Mas Ed Najarian, um estratega  de investimentos do grupo ISI, disse ” duvidar,  na ausência de provas”, da ideia que se espalhou na terça-feira em Wall Street,  de que o sr.  Pandit teria abandonado o barco  Citi, de que se iria descobrir  que o seu papel  na manipulação da Libor tem sido mais grave do que se pode  pensar.

A praça estava cheia de rumores sobre  ‘escândalos’ que iriam aparecer  sobre o Citigroup, e de que a saída inesperada do seu CEO eram já um bom anúncio. Em cinco anos à frente do Citi, o Sr. Pandit teria ganho 261 milhões de rendimentos, onde se incluem  165 milhões que lhe foram pagos no resgate em 2007 do seu hedge fund. Michael Corbat, trinta anos de casa, ‘tradicional’ banqueiro, substituí-o  imediatamente.

Sylvain Cypel, New York, Correspondente do Le Monde, 17.10.2012.

 

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