
Carlos Bousoño – Espanha
( 1923 – )
DE LONGE
Passa a juventude, passa a vida,
passa o amor, a morte também passa,
o vento, a amargura que trespassa
a pátria densa, adormecida, imóvel.
Adormecida, em sonho, para sempre, esquece.
Mortos e vivos estão na mesma massa;
dormem igual destino, ventura escassa.
Pátria, profundidade, perdida pedra.
Perdida pedra, fundida, vivos, mortos.
Espanha inteira já dorme a sua história.
Os campos tristes e os céus bem hirtos.
Está no papel escrita a tua glória:
querer edificar sobre os desertos;
aspirar à luz mais ilusória.
(tradução de Egito Gonçalves)
Nasceu em Boal (Astúrias). Publicou uma “Teoria da Expressão Poética”. Da sua obra, destacam-se os livros de poesia: “Subida al amor” (1945), “Primavera de la muerte” (1946), “Hacia otra luz” (1950), “Noche del sentido” (1957). Reuniu a sua obra poética em “Primavera de la muerte. Poesías Completas 1945-1998” (1998).
