POESIA AO AMANHECER – 76 – por Manuel Simões

Carlos Bousoño – Espanha

( 1923 –   )

DE LONGE

Passa a juventude, passa a vida,

passa o amor, a morte também passa,

o vento, a amargura que trespassa

a pátria densa, adormecida, imóvel.

Adormecida, em sonho, para sempre, esquece.

Mortos e vivos estão na mesma massa;

dormem igual destino, ventura escassa.

Pátria, profundidade, perdida pedra.

Perdida pedra, fundida, vivos, mortos.

Espanha inteira já dorme a sua história.

Os campos tristes e os céus bem hirtos.

Está no papel escrita a tua glória:

querer edificar sobre os desertos;

aspirar à luz mais ilusória.

(tradução de Egito Gonçalves)

Nasceu em Boal (Astúrias). Publicou uma “Teoria da Expressão Poética”. Da sua obra, destacam-se os livros de poesia: “Subida al amor” (1945), “Primavera de la muerte” (1946), “Hacia otra luz” (1950), “Noche del sentido” (1957). Reuniu a sua obra poética em “Primavera de la muerte. Poesías Completas 1945-1998” (1998).

 

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