POESIA AO AMANHECER – 78 por Manuel Simões

Gabino Alejandro Carriedo – Espanha

( 1923 – 1981  )

TEORIA DA AGRICULTURA

Surge o lavrador com a sua amarela carga de pães

já semi-cosidos.

Vem pelo caminho o lavrador meio adormecido

com a pesada carga dos anos,

saúda o próximo com a calejada mão

e contempla, que pena, a terra tão bonita,

com a sua mancha de sol, e o silêncio, e os primeiros cantos dos grilos

quando os pássaros começaram a dormir,

que pena, com o difícil que está a vida

pensa que não compensa moer os ossos,

fazer-se velho e sentencioso, ganhar rugas

enquanto se ouve, idêntico, o toque do sino,

enquanto o filho salta da lavoura ao quartel

e vive-versa.

[…]

Pelo adormecido caminho vem o lavrador

e olha as formigas, que pena, tão minúsculas,

tão esquecidas que qualquer as pisa

sem que sinta, por isso, violados

os Direitos do Homem.

Vem para ceder ao filho a ferramenta.

(tradução de Egito Gonçalves)

Nasceu em Palencia. Foi co-director das revistas “Pájaro de paja” e “Poesía de España”. Obra poética: “Poema de la condenación de Castilla” (1946), “Del mar, el menos” (1952), “Alas cortadas” (1959), El corazón en un puño” (1961).

 

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