
Não sabemos de que perspectiva esta afirmação é feita, nem quais as motivações deste gesto. Trazido para o exterior por agentes da PSP, disse aos jornalistas que, no seu entender as manifestações, protestos e petições já não funcionam”. Assim, resolveu actuar de maneira inovadora. E que também não funciona, dizemos nós. Registe-se, porém, que as reacções de repúdio a um primeiro-ministro nunca foram tão fortes como aquelas de que Passos Coelho está a ser alvo. Também é verdade que na história dos governos constitucionais, nenhum executivo foi tão longe na destruição da sociedade que o pós Abril de 74 parecia querer instalar. Passos Coelho e a sua equipa têm estado a tomar decisões que configuram uma situação de ditadura; sob o olhar benevolente de um presidente da República que, ao não se demarcar, ficará associado à história do pior governo que temos desde que a democracia foi restaurada. A democracia não será propriamente uma ilusão. Este sistema falsamente democrático é que resulta de um truque de ilusionismo: através de meios democráticos, atinge uma situação de autoritarismo.
Na realidade, a democracia é valiosa, mas, como disse alguém, foi comprada por quem deu mais. E quem deu mais foram os mesmos que antes usaram as ditaduras para impor a sua vontade. Os donos do nosso país, os donos do mundo, são os mesmos que puseram os jovens a usar camisas de cores diversas – pretas, verdes, azuis… , a marchar com passo de ganso e a fazer a saudação romana. Patrocinaram ditadores, polícias políticas, holocaustos. Agora subsidiam a democracia. Sistema que, nos seus aspectos formais, existe e funciona. Se o homem que interrompeu a sessão parlamentar o tivesse feito na antiga Asssembleia Nacional, garantiria uma prisão prolongada, torturas, espancamentos… Quem comprou a democracia sabe que estes incidentes, manifestações, greves, petições (e textos em blogues) são inofensivos.
A democracia nõa é uma ilusão, embora estejamos a viver a ilusão de que vivemos em democracia.
