EDITORIAL – AS PROMESSAS ELEITORAIS E A ILUSÃO DEMOCRÁTICA

Imagem2Foi, salvo erro, Carlos Drummond de Andrade quem disse que umas eleições se fazem para corrigir os erros das eleições anteriores, embora por vezes os agravem. As palavras podem não ser exactamente estas. Quando, há dois anos, as críticas a José Sócrates se avolumaram e o ruído dos protestos começou a ecoar no próprio partido do Governo, antevia-se uma vitória do PSD e percebia-se que as coisas não iriam melhorar. Um Passos Coelho desconhecido fora do âmbito partidário, obscuro dirigente da jota, desdobrava-se em promessas que estavam nos antípodas do que fez quando atingiu o posto de primeiro-ministro.

O que surpreendeu náo terá sido o incumprimento das promessas, pois isso é um dado adquirido do sistema; surpreendeu o arrojo negativo de um bando de idiotas, incompetentes e corruptos, ter ousado fazer tábua rasa da Constituição e ter ido mais longe na repressão económica do que foi Salazar. Agora, Passos Coelho descobre que o País não suporta mais impostos, mas como a despesa tem de continuar a diminuir (sem cortar nas mordomias da classe política), prevêem-se mais cortes nos escassos benefícios sociais que escaparam até agora.

Segundo o Eurostat, em Julho,  o desemprego em Portugal fixou–se nos 16,5%, valor que comparados com os 17,3% registados em Abril, significa menos 42 mil desempregados em quatro meses. Vencimentos abaixo do limiar da miséria, estão a produzir o milagre. É entre a população jovem que o desemprego mais tem caído nos últimos meses, sintoma de ser esta a faixa etária mais castigada por este flagelo, o que acaba por deixá-la à mercê de trabalhos precários, sazonais e muito mal pagos. E à dependência da ajuda familiar.

Seguro promete, se for eleito, não retirar os subsídios. Muito provavelmente, será eleito. E a ilusão da democracia prossegue neste novo fascismo, nesta oligarquia travestida de democracia em que temos o privilégio de podermos escolher a corda com que nos enforcamos. Começámos com Carlos Drummond de Andrade. Com ele encerramos o editorial de hoje: «Democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder».

2 Comments

  1. * Um relembrar do percurso da Democracia moderna – * *Eu ,tenho a veleidade de definir a Democracia assim: a liberdade que eu tenho de pensar como os outros querem-Maria *

  2. Chateia-me isto de “A “democracia ! Mas qual “A” qual carapuça ! Existem muitas formas de democracia ! Falar em “A” pressupõe que só existe 1. Vivemos num regime de DEMOCRACIA REPRESENTATIVA , pior do que ela só a DITADURA DAS MINORIAS .

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