
Por que razão estamos a levantar esta questão? Pois então não afirmámos a independência ao longo de tantos séculos? A nossa hispanidade tem sido vivida de costas para Espanha, voltados para o mar. Temo-nos alheado do que se passa no nosso espaço geográfico. Entre 1936 e 1939, fomos forçados a estar atentos. A vitória franquista e a ditadura de longa duração que nos governava, educaram-nos na convicção de que Espanha é uma realidade indiscutível, que a Catalunha, a Galiza e o País Basco, são províncias de Espanha e que não têm direito a ser independentes – pois então o Algarve ou o Ribatejo, têm direito à independência. Ou seja, a mentira que desde há séculos é forjada no centro da “nossa” Península, passa aqui por verdade indiscutível. E até há portugueses que entendem que seria vantajoso sermos integrados em Espanha.
Os governos portugueses – os da monarquia, os da I República, os da ditadura, os pós-1974, todos têm tolerado a arrogância castelhana que, por exemplo, quer que a Grã-Bretanha lhe devolva Gibraltar, mas não admite sequer a hipótese de nos devolver Olivença. Que impõe o castelhano como língua oficial, fazendo tábua rasa, de línguas e culturas de nações que existiam antes de Madrid ter sido edificada.
Nada temos contra os «espanhóis». Muitos cidadãos do estado nosso vizinho, talvez a maioria, consideram-se como tal e respeitamos a sua opção. Mas Espanha só tem o direito de existir quando der ás nacionalidades que oprime o direito de decidir se querem ficar ou separar-se; Espanha só será um estado legítimo quando devolver Olivença a Portugal, Ceuta e Melilha a Marrocos.
Os portugueses teriam a ganhar com uma Península Ibérica restituída à sua verdade histórica, composta por quatro ou cinco nações livres. Espanha, existe? Vamos ver que respostas obtemos.

