ESPANHA, EXISTE?
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ESPANHA EXISTE… PORTUGAL TAMBÉM. E A CATALUNHA, A GALIZA, O PAÍS BASCO
Portugal conseguiu a sua identidade política e cultural muito antes da Espanha. A designação como espanhóis dos habitantes daquilo a que hoje chamam Espanha parece só se ter generalizado no fim do século XVI, enquanto que no século X já se empregava a forma portugalense, de onde derivou o nome português. Espanha derivou do latim Hispania (que alguns defendem ter derivado do fenício, devendo ter-se presente que os romanos tomaram a península aos cartagineses), que se aplicava a toda a península, Península Hispânica.
Após a conquista de Granada, em 1492, os reis católicos intitularam-se de Reis das Espanhas, para assim abranger os vários reinos que dominavam. Não sem protestos do rei de Portugal (D. João II), que recordava a propósito que Portugal também fazia parte da Península Hispânica. Por essa razão no nosso país generalizou-se a expressão Península Ibérica.
Entretanto a designação As Espanhas para designar o conjunto dos países da península sob a égide de Castela manteve-se até à constituição de Cadiz, de 1812. A Constituição de 1876, implantada após a restauração da monarquia, logo a seguir à efémera I República, terá sido a que usou pela primeira vez a designação Espanha.
Em Portugal, antes do 25 de Abril, as classes dominantes e os que nelas acreditavam diziam que se Portugal perdesse as colónias, brevemente seria reduzido a uma província de Espanha. Há dias ouviu-se o Dr. Mário Soares afirmar-nos que a adesão à União Europeia também teve como objectivo impedir a absorção do nosso país pela Espanha. O oportunismo destas declarações consiste em ir buscar o sentimento que deriva das condições geográficas e económicas dos dois países, aliado a uma certa percepção da história, para o utilizar na opção pelas linhas políticas que os diferentes líderes políticos utilizam.
Bem mais adequado é pôr a claro o que é a Espanha país, ou melhor explicar como se formaram e como vivem os vários países sob o governo de Madrid, a cidade que fica em Castela. Não se pode negar o passado, mas por isso mesmo há que o contar, não o resumindo a breves vislumbres patrioteiros, como nos casos citados. Portugal tem um passado comum com os restantes países hispânicos (no sentido original). A geografia impõe-lhe que viva com eles. Será bom que cada um o viva à sua maneira. De maneira democrática e amplamente participada.


Concordo. A vantagem desta crise – tem que haver alguma – é ouvirmos agora falar menos de “união ibérica” do que antes… Mas é verdade que temos muito em comum e devemos virar mais o olhar para este lado do que para além do Atlântico.