EDITORIAL – ESPANHA, EXISTE?

Imagem2Toda a edição de amanhã será dedicada a um tema – Espanha. Espanha, existe? perguntamos – todos sabemos que sim, que existe. É um estado constituído em 1812, nas cortes de Cádis – até então, falava-se de Espanha, como da Itália ou da Alemanha – entidades políticas, sociais e culturais, sem existência de jure, mas existindo de facto. Mas Espanha existe com base na hegemonia de uma das suas componentes – Castela impõe o seu idioma e a sua cultura. Natália Correia, escreveu um ensaio sob o título Somos todos Hispanos, o que é verdade. Portugueses, castelhanos, catalães, aragoneses, galegos, bascos… todos éramos assim conhecidos – hispanos, ou seja, naturais da Hispaniae; do mesmo modo que independentemente da cidade ou região a que pertencessem, os naturais da península itálica, eram designados por italianos. E Itália só veio a existir em 1861.

Por que razão estamos a levantar esta questão? Pois então não afirmámos a independência ao longo de tantos séculos? A nossa hispanidade tem sido vivida de costas para Espanha, voltados para o mar. Temo-nos alheado do que se passa no nosso espaço geográfico. Entre 1936 e 1939, fomos forçados a estar atentos. A vitória franquista e a ditadura de longa duração que nos governava, educaram-nos na convicção de que Espanha é uma realidade indiscutível, que a Catalunha, a Galiza e o País Basco, são províncias de Espanha e que não têm direito a ser independentes – pois então o Algarve ou o Ribatejo, têm direito à independência. Ou seja, a mentira que desde há séculos é forjada no centro da “nossa” Península, passa aqui por  verdade indiscutível. E até há portugueses que entendem que seria vantajoso sermos integrados em Espanha.

Os governos portugueses – os da monarquia, os da I República, os da ditadura, os pós-1974, todos têm tolerado a arrogância castelhana que, por exemplo, quer que a Grã-Bretanha lhe devolva Gibraltar, mas não admite sequer a hipótese de nos devolver Olivença. Que impõe o castelhano como língua oficial, fazendo tábua rasa, de línguas e culturas de nações que existiam antes de Madrid ter sido edificada.

Nada temos contra os «espanhóis». Muitos cidadãos do estado nosso vizinho, talvez a maioria, consideram-se como tal e respeitamos a sua opção. Mas Espanha só tem o direito de existir quando der ás nacionalidades que oprime o direito de decidir se querem ficar ou separar-se; Espanha só será um estado legítimo quando devolver Olivença a Portugal, Ceuta e Melilha a Marrocos.

Os portugueses teriam a ganhar com uma Península Ibérica restituída à sua verdade histórica, composta por quatro ou cinco nações livres. Espanha, existe? Vamos ver que respostas obtemos.

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