O argonauta Júlio Marques Mota está a apresentar em A Viagem dos Argonauta, na secção Reflexões sobre a morte da zona euro, sobre os caminhos seguidos na europa a caminho dos anos 1930, um texto analisando a extensão que atingiu o caso da lasanha elaborada com carne de cavalo no lugar de carne de vaca. E, ao lê-lo, percebemos a facilidade com que se propaga (o termo não estará mal aplicado) por toda a Europa uma situação destas. No referido texto, o Júlio Marques Mota dá-nos mesmo uma visão das reacções que o caso provocou, aos diferentes níveis.
Entretanto, o Público, na edição on line, numa notícia de ontem, informa-nos (em conjunto com a Lusa), que Dirk Niebel, ministro de Desenvolvimento alemão (o que fará ele?), terá sugerido que os produtos que estão a ser retirados do mercado por conterem vestígios de carne de cavalo sejam distribuídos aos pobres. Um deputado conservador ter-se-à mesmo deixado fotografar a comer um prato de lasanha de cavalo. Mas a ministra dos Assuntos Sociais, Ursula von der Leyen, classificou o debate como absurdo, e disse que todos, ricos ou pobres, querem saber aquilo que comem. Entretanto, uma empresa finlandesa, pediu autorização para entregar os produtos com carne de cavalo aos pobres.
Ursula von der Leyen tem razão no que diz. Aliás, tem muita razão, se o que quis dizer foi que todas as pessoas têm o direito a saberem o que comem. Mas qual será o sentido do debate que a ocorrer? há que perguntar. Será um branqueamento do ocorrido, que foi inegavelmente uma falsificação generalizada? Pois o que é grave, é que tudo indica que sim. Culpa das empresas, culpa dos governos, culpa do sistema capitalista, com a regra de o lucro em primeiro lugar? É de todos os que aceitam essa regra de ouro: o lucro em primeiro lugar.

