REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Uma viagem pelos países da Europa atingidos  pelo  escândalo  da carne de cavalo

Por Júlio Marques Mota

Uma peça dedicada ao meu amigo Gama, à sua égua, às crianças que a montaram

(CONTINUAÇÃO)

Parte V

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A França também atingida

Depois da  descoberta,  no Reino Unido, de grandes quantidades de carne de cavalo foram detectadas na França e nas receitas consideradas como contendo carne de vaca. Findus, fabricante de refeições sobrecongeladas, anunciou a suspensão temporária das prateleiras nos super-mercados de França de três das suas  refeições (/ societe/article/2013/02/10/d-autres-cas-de-fraude-presumee-a-laviande-de-cheval-sont-a-craindre_1829743_3224.html), a lasanha à bolonhesa, carne moída à parmentier e moussaka.

O subcontratado francês Comigel, que produziu os pratos  congelados para a marca Findus e para várias marcas de distribuidores anunciou, a seguir,  a retirada de todos os seus produtos e questionou um dos seus fornecedores, a empresa francesa Spanghero. Esta última empresa indica que a carne em causa vinha da Romênia. (/ europe/article/2013/02/08/dela-viande-de-cheval-retrouvee-dans-des-lasagnes-findus-en-grande-bretagne_1828924_3214.html)

A  14 de Fevereiro, o ministro  responsável pelo controlo da qualidade dos bens  consumidos em França , Benoît Hamon, garante que a sociedade Spanghero “sabia que se tratava de  carne de cavalo ‘”.

Spanghero é acusada de responsável pela “fraude  económica” e ser-lhe-á movido um processo acrescentou, prometendo assim  ” sanear esta fileira “

Os responsáveis da empresa  Spanghero, envolvidos no caso da carne de cavalo, não deixam de continuamente repetirem nestes últimos  dias que não tinham conhecimento da origem equina da carne que eles transformaram, inclusive sublinhando um problema com etiquetas .  Contudo,   as facturas encontradas pelo  Organismo encarregado da repressão sobre as fraudes  (DGCCRF) e publicadas  pela France Info provam que a empresa tinha conhecimento de que a carne  comprada para ser transformada era na verdade carne de cavalo e não carne  de vaca.

“Nas facturas da empresa Spanghero  figura na verdade o número de código”0205 0080”, utilizado para a carne de cavalo  e não o  código “0201”ou”0202″usado para a carne  de vaca. “De acordo com os investigadores, Spanghero  nunca  poderia  ignorar o significado deste código”, explica France Info.

Carne de cavalo - III

A carne de cavalo vendida como carne de vaca era de origem romena

A descoberta da carne de cavalo nas lasanhas que supostamente  eram feitas à base de  carne de vaca provocou um enorme  escândalo no Reino Unido – onde o cavalo é venerado e onde é tabu o consumo  da sua  carne – e levou à retirada na  sexta-feira, 8 de Fevereiro,  dos  pratos incriminados  na França e na Suécia.

A carne de cavalo encontrada  em grandes quantidades no Reino Unido (à altura de  100%) na lasanha na marca de congelados  Findus era de origem romena, informou   a empresa francesa Comigel, que distribui  os seus  artigos em 16 países. Como primeiro passo, ela  tinha  sido apresentada  como sendo de origem francesa pelas autoridades sanitárias do Luxemburgo, onde estes pratos foram preparados. Esta fonte disse que a carne tinha fraudulentamente sido rotulada de “carne bovina”.

“História muito chocante “

À noite, a cadeia de supermercados Aldi anunciou que dois outros pratos  distribuídos no Reino Unido por Comigel – lasanha e esparguete à bolonhesa – da  marca Today’s Special  continha entre 30% e 100% de carne de cavalo. O produtor sueco Findus, por sua vez, decidiu retirar  das prateleiras dos supermercados franceses os pratos  – lasanha à bolonhesa, carne picada à parmentier e o moussaka – depois de ter retirado  a lasanha incriminada   na segunda-feira no Reino Unido, onde estas   refeições eram vendidas nos  supermercados. No final do dia, Findus anunciou uma medida semelhante que ia ser imediatamente aplicada  na Suécia, para as lasanhas sobrecongeladas.

O grupo sueco, que apresentou  publicamente o seu pedido de desculpas, entretanto, insistiu no facto de que não havia nenhum risco para a saúde. Mas para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, esta “história muito chocante é totalmente inaceitável”. Levanta um problema “de confiança”, disse ele a partir de  Bruxelas, salientando assim a necessidade de rotular correctamente os produtos.

Toda a fraude  “deve ser severamente punida,” disse sexta-feira num  comunicado à imprensa o ministro da agricultura e do agro-alimentar, Stéphane Le Foll. Este ministro  pretende  em particular  “que a investigação seja conduzida ao seu termo no mais curto espaço de  tempo  possível para que seja feita  luz  sobre esta  questão”. A agência francesa de repressão das fraudes denunciou este caso como constituindo uma situação de “fraude “.

No  Reino Unido, o caso tem também uma dimensão cultural: a carne de cavalo  não é normalmente disponível comercialmente, ao contrário do que se passa em  França ou na Suíça, onde esta carne é  conhecido pelo facto de ser bem mais tenra.  A descoberta “não é agradável, e vem especial, para os consumidores britânicos”, reconheceu Findus.

(continua)

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