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RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção, tradução e nota de leitura por Júlio Marques Mota

Nota de leitura a um texto sobre a crise, sobre Espanha

O último a sair, a abandonar Espanha, que apague as luzes e que feche a porta

Um texto de desespero de um dos melhores analistas da crise europeia que me parece já demasiado pessimista face às eventuais saídas da crise que se possam colocar à Espanha. Na opinião de Edward Hugh  agora vale mais que venha a Troika e quanto antes, tudo isto porque sem ela é necessário pagar juros muito altos e com a Troika os juros são mais baixos, que venha a Troika, porque assim a aplicação das reformas estruturais são assim mais fáceis de colocar em prática, que venha a Troika  porque  entre a pressão da Troika e a corrupção que mina a sociedade espanhola  é preferível a Troika, pois é. Mais uma vez se confirma  a tese de que no quadro do modelo que gera a crise não há saída para ela e esse é o problema de Hugh a pensar que dentro do quadro da EU poderá ainda ser possível sair, ou mesmo assim, talvez não e então, neste caso, o último a sair, a abandonar Espanha, que apague as luzes e que feche a porta .

Este texto que tem tanto de lúcido como de bloqueio,  pelo quadro do qual o autor não quer sair, é, por isto mesmo, extraordinariamente importante e possivelmente levará a que o leitor se interrogue, mais uma vez, como sair disto?  Pelo caminho de Bruxelas, essa é a vantagem do texto agora apresentado, é que não é possível sair.

Júlio Marques Mota

Xxxxx

Has Spain’s Economic Contraction Now Become Self Perpetuating?

Ter-se-á a contracção da economia espanhola a partir de agora começado a auto-perpetuar-se ? 

Edward Hugh, 17 de Fevereiro de 2013

http://spaineconomy.blogspot.pt/2013/02/has-spains-economic-contraction-become.html

Parte I

Os dirigentes políticos da Espanha estão neste momento muito satisfeitos, alegres mesmo,  quase eufóricos até. O Ministro da economia Luis de Guindos, ao falar  em Davos, declarou que a maré já mudou  e previu que a economia espanhola retornaria ao crescimento no segundo semestre de 2013.

“A percepção de que a economia de Espanha tem estado a melhorar e que assim vai continuar sobre as próximas semanas, sobre os próximos meses  “ foi o que ele contou para a sua audiência no  Forum Económico Mundial . Na  mesma linha, ele disse aos  jornalistas espanhóis em Moscovo  na semana passada que a economia espanhola já não vai ser um tema quente   nas reuniões do G20 é então  mais um outro bem-vindo sinal dos nossos tempos.

Como sempre, os bons conhecedores da  economia de Espanha estão  a cobrir as suas apostas – não haverá nenhum tremor de terra que virá abalar   o crescimento, este é a novo slogan.  Dito de uma outra forma, a Espanha já atingiu o fundo do seu colapso económico e este é agora coisa já passada. A partir de agora em diante a estrada pode ser sinuosa, mas iremos sempre a crescer. Talvez, sugeriu ele, a economia vá estar estacionária no terceiro trimestre, e depois vamos ver então o crescimento, embora ainda se vá ver apenas um pouco de crescimento, no quarto trimestre. E muito possivelmente o ministro  estará  certo. O central da questão não é se o país pode ter um, ou mesmo dois, trimestres   de desempenho económico  positivo, mas sim se uma vacilante recuperação poderá ela ser sustentada em direcção ao futuro, até 2014 e mesmo para além desta data. É aqui que todas as minhas já velhas dúvidas realmente reaparecem .

O peso do argumento que diz que nos diz que o país está prestes a ver um ressurgimento assenta na ideia de que o governo da Espanha já aprovou as reformas suficientes para permitir que a economia volte  a um caminho de crescimento forte. Os optimistas dizem que sim, enquanto os cépticos como eu não estão mesmo nada  convencidos disso.

Certamente o ministro Guindos pode apontar as  ocasiões em que ele terá  afirmado a sua posição . Voltemos a Outubro do ano passado, quando ele disse  a uma plateia na London School of Economics  que a Espanha não precisava  de um resgate, eles simplesmente riram-se. Quatro meses mais tarde, parece cada vez mais improvável que o país vai pedir  ajuda suplementar da UE a  curto prazo. “A Espanha não precisa de nenhum tipo de resgate”, disse recentemente à Bloomberg TV, e desta vez ninguém riu.

Talvez o ponto-chave aqui esteja na sua interpretação da palavra “necessidade”. Se pagar cerca de  5% nas suas obrigações a 10 anos é considerado um custo aceitável para financiar a dívida do seu país – a Alemanha, por exemplo, está a pagar  em torno de 1,7% -, então não há nenhuma necessidade de apelar  para a UE e desencadear a compra de títulos   pelo  BCE através do seu programa  Outright Monetary Transactions. Se, por outro lado, pensarmos que o país poderia bem  beneficiar de custos mais baixos de financiamento  e que o  tipo de pressão externa para as reformas  seria exercida  através  um Memorando de Entendimento, então claramente um resgate é pois necessário.

Pessoalmente defendo este último ponto de vista, uma vez que acho que, na minha opinião,   o país ainda tem um longo caminho a percorrer em termos de reformas , sendo portanto  claro que para a introdução de mais  medidas que seriamente doem e que poderiam ser massivamente impopulares  (e especialmente no contexto de todos os recentes escândalos de corrupção), a protecção  fornecida  por um  programa da Troika permitiria que estas reformas fossem bem mais facilmente aplicáveis.

(continua)

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