O Pato, como sabemos, está em Berlim. Quer falar com a madame Merkel, mas todos os caminhos estão blindados. Quer que ela leia a carta do Professor, o seu general, a bem dizer. Escreve no seu diário: «Sou um agente desinteressado, um patriota (ou um “patiota”?), mas pode ser que, se tudo correr bem, tenha qualquer recompensa – tachos não quero – não sei porquê, mas só de pensar em tachos fico nervoso». Telefona ao professor – diz-lhe que entregou a carta ao camarada presidente. Leva uma lição de História – A noite das facas longas, as montagens fotográficas com que Hitler punha as mulheres dos seus generais de quem não gostava a fazer com outros o que não deveriam fazer, sobretudo à luz dos elevados padrões morais do III Reich. E,exibindo as montagens fotográficas, exigia a demissão. O Pato compreendeu o que o Professor queria que ele fizesse. Em indecifrável escrita de pato, escreveu:«Quá, quá, quá… Tenho a foto de Madame Merkel e que bela foto. Da Playboy ainda não responderam .Que fazer? Ah, já sei. Telefono ao Presidente do Bundesbank , Jens Weissmans e mando-lhe uma bomba – Tenho fotos da sua patroa em poses impróprias de uma chanceler». E assim faz:
Ah, o filho de um bode, não de uma pata – as patas não são p… bem quer dizer, algumas talvez sejam, a minha prima, a bem dizer… – Num inglês de quem não sabe muito, pergunta-me o homem forte do Bundesbank: – Frau Merkel’ pictures? From a sexual point of view very interesting, oh, my God! ? O malandro sabia das marotices do Gobbels, sabia o peso de uma fotografia comprometedora. Se calhar neto de Gobbels ou se calhar terá sido na memória um seu vizinho intelectual, e dispara: – Ask me : How much? I wish the pictures, how much, please?
Como Pato sinto-me ufano. How much? Ora essa! Sou um pato, mas tenho princípios. – No money… We can make a deal. Do you understand?
What deal, que raio de deal ? – pergunta.
– A letter, I need to give a letter to Frau Merkel. Only a letter in english, in Shakespeare language, no bombs!