Durante a conferência “O VALOR DA PAIXÃO NO BEBÉ E NA FAMÍLIA – PARA UMA CIÊNCIA DA FELICIDADE”, que se realizou nos dias 7 e 8 em Lisboa, na Fundação Gulbenkian, com alguns dos mais conceituados especialistas mundiais no campo da Pediatria, da Psicologia e das Ciências Sociais, um dos momentos altos foi a homenagem a Daniel Stern.
Daniel Stern, psicólogo americano (1934-2012), na década de 1970 realizou uma pesquisa sobre o conceito de sintonia entre recém-nascidos muito novos e seus cuidadores, usando microanálise de evidência de vídeo. Esta pesquisa contribuiu significativamente para a compreensão da complexidade das interacções entre recém-nascido/cuidador como uma parte integral do desenvolvimento emocional e social de um bebé. Foi um dos livros que li quando escolhi a área de clínica (Bebé-mãe; primeira relação humana, Moraes, 1980) e que muito me interessou.
Mais tarde, em 1985, no seu livro “The Interpersonal World of the Infant” introduziu o termo «accordage affectif» para descrever um nível de relação que ocorre entre o recém-nascido e a sua mãe, em que, a partir dos elementos discretos das interacções, estes são introduzidos num movimento de sintonização quase musical, através do qual as acções dos sujeitos se orientam em torno de uma acção comum produzindo e sentindo em cada um, uma emoção ou uma intenção para lá do acontecimento discreto produzido.
Em 1991 referia-se ao mundo mental, imaginário e subjectivo das representações: «Existe o bebé real nos braços da mãe e existe o bebé imaginado na sua mente. Também existe a mãe real, segurando o bebé, e existe a sua ideia imaginada de mãe nesse momento. No final, existe a acção real de segurar o bebé, e existe a acção imaginada desse acto de segurar, em particular.»
Picasso – Maternidade
Em Lisboa, na referida Conferência, os pedopsiquiatras e psicanalistas Maria José Gonçalves e Emílio Salgueiro lembraram as várias contribuições de Daniel Stern e as suas presenças em Portugal. Maria José Gonçalves referiu o 1º Congresso Mundial de Psicologia do bebé, que se realizou em Portugal, no Estoril, em 1980, Considerou que Daniel Stern foi um inspirador para a criação da Unidade de Primeira Infância, que dirigiu durante muitos anos, inserida no Departamento de Pedopsiquiatria do Hospital de Dona Estefânea.
Emílio Salgueiro frisou que Daniel Stern, apesar de ser psicanalista, e de receber várias críticas por parte dos seus colegas mais “ortodoxos”, persistiu na sua metodologia de filmagens, estudando a psicologia como uma psicologia a dois, uma psicologia de relação.
No seu livro “Bebé-mãe; primeira relação humana”, Stern acaba dizendo: “Tentei partilhar informações para que as mães possam criar os passos da sua própria e única “dança” com o bebé e para que possam, ao mesmo tempo, saber que os “movimentos” individuais que eles fazem com elas, e as sequências improvisadas que elas inventam são, na sua individualidade, parte de um processo natural comum a todos nós”.
