EDITORIAL – DEMOCRACIA DOENTE OU OLIGARQUIA SAUDÁVEL?
carlosloures
A actualidade política nacional continua desinteressante – a referência pelo presidente da República à intervenção da Nossa Senhora de Fátima junto da troika dá que pensar – talvez fosse melhor substituir o ministro Vítor Gaspar pela Senhora de Fátima. E temos também a notícia do casal do Porto suspeito de ter falsificado documentos para dar corpo a uma criança que nunca existiu, com o objectivo de conseguir benefícios fiscais e apoios sociais, nomeadamente uma habitação social maior. Estão presos, o que se nos afigura uma injustiça. Devia haver um prémio para a imaginação que revelaram. Ou então prender todos os portugueses.
Colectivamente, temos um presidente que não existe, só para cumprirmos um preceito constitucional. Cavaco Silva é um produto da nossa imaginação. Musicalmente, elevamos um Tony Carreira a ídolo – não tem voz, canta banalidades que qualquer deficiente mental seria capaz de criar – mas arrasta multidões. Cavaco Silva não tem cultura, nem inteligência, nem integridade moral para ocupar o cargo de supremo magistrado da Nação – lá está ele no palácio de Belém e pela segunda vez. Ambos, o desprezível Carreira e o insignificante Cavaco (e vice-versa), têm em comum além da estupidez, a codícia, a esperteza de usar a ignorância generalizada como alavanca do seu sucesso. Mas, dir-se-á – é um mal específico dos portugueses? Claro que não – o Berlusconi, o Sarkozy, o Rajoy… Mas, os outros não fizeram um 25 de Abril. E com o mal deles…
Sob o fascismo, pensávamos que seres como Américo Tomás só chegavam à presidência devido á fraude sistemática no processo eleitoral. Em democracia, como animais amestrados, somos nós que sentamos cabeças de abóbora na cadeira presidencial. A oligarquia que nos rege percebeu que o povo que enche o Pavilhão Atlântico para ouvir o imbecil Carreira e as urnas com votos para eleger um homem do antigo regime, não gosta de génios – Pavarotti e Einstein não teriam hipótese. Colectivamente não gostamos de quem seja melhor do que nós. A mediocridade compreende-se. Os génios são muito complicados.