Enquanto Obama se prepara para atacar a Síria (parece que não tem outro remédio), e os incêndios em Portugal continuam, e não há quem lhes ponha cobro, nem ao menos um travão significativo, pelo resto do mundo há outros problemas também muito complicados. Alguns não serão tão imediatos, mas sobre as suas consequências futuras é lícito prever que poderão revestir-se de aspectos muito graves.
Um deles é constituído pelas relações entre Portugal e a Espanha, ou, melhor dito, entre a República Portuguesa e o reino espanhol. Trata-se de um problema com mais de oito séculos, a caminho dos nove. Portugal só tem fronteiras terrestres com a Espanha, que tem mais cinco vezes a sua área, e quatro vezes e meia a sua população. Entretanto, o governo de Mariano Rajoy, o tal que anda a ser acossado por um indivíduo chamado Barcenas, resolveu ir para a ONU informar que se opõe a que se constitua uma Zona Económica Exclusiva a partir das ilhas Selvagens, com limite a 350 milhas da costa. No caso, tratar-se-á de uma fronteira marítima. E são capazes de ter alguma razão, pois as Selvagens ficam a cerca de 170 quilómetros das Canárias. Vejam o Diário de Notícias:
http://www.dn.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=3397396&seccao=Media&page=-1
Mas o direito tem de ser igual para todos. Portugal tem direito legal sobre Olivença, que foi restituída pelo Congresso de Viena, cuja acta final o reino espanhol ratificou em 1817. Para quando o seu cumprimento? Ou será que Rajoy y sus muchachas y muchachos, só vão fazer queixinhas para o ONU, assim como sobre Gibraltar, por causa do Barcenas?
A questão é grave. E Portugal tem muitos assuntos pendentes com o reino ao lado. Desde o problema dos rios, que ultimamente parece andar a ser gerido com alguma tolerância de parte a parte (será bom que não tenhamos nenhum desengano), até ao da bitola dos caminhos de ferro, que está por resolver, e constitui um grave problema para a economia portuguesa, veja-se o caso do porto de Sines, há uma série de assuntos que requerem tacto e competência, é certo, mas também firmeza e transparência. Rajoy e o PP, mais por culpa própria, meteram-se em sarilhos que esperam ver secundarizados pela opinião pública, a favor de questões patrióticas, como Gibraltar, e agora será o caso das Selvagens. Não vamos propor que o governo português tome atitudes semelhantes, para fazer esquecer a sua incompetência, o desemprego, a recessão, os fogos florestais, a destruição dos serviços públicos e os cortes nos salários e pensões. Simplesmente, há que, no tempo devido, defender os direitos de Portugal e dos portugueses, posição que tem andado arredia.


