EDITORIAL – Nação de nações?

logo editorialA visita de Estado do rei de Espanha e sua esposa a Portugal é um gesto político, um “acto formal de boa vizinhança” sobre o qual não vale a pena especular. Não temos qualquer animosidade contra a pessoa de Filipe VI. O cargo que ocupa é-nos antipático, é coisa que se depreende dos frequentes artigos em que analisamos factos históricos relacionados com este estado que nos calhou como vizinho. Familiares e vizinhos não os podemos escolher – os amigos, sim, E estes vizinhos peninsulares nunca foram nossos amigos. São «falsos amigos», como se designam na gíria da ciência linguística as palavras iguais com significados diferentes – nesse aspecto, o castelhano é um idioma dos mais difíceis para nós – tantos são os «falsos amigos».       

Usada literalmente, a expressão faz também todo o sentido, pois apesar das «boas relações» entre os dois estados, os aviões militares do «estado vizinho» sobrevoam cobiçosamente as nossas ilhas Selvagens e da nossa Olivença nem se fala. Pinheiro de Azevedo talvez tivesse as suas excentricidades, mas a sua declaração de com uma companhia de fuzileiros ocuparia a cidade e o território envolvente, caiu bem.

Portugal não toma um atitude firme na recuperação do que lhe foi miseravelmente roubado (os totós da diplomacia acham que não merece a pena criar problemas por causa de um território tão pequeno – pois é. Tem 16 vezes a área de Gibraltar. A diplomacia de Madrid não se cala ante Londres, pois quer a devolução do que mercê de um tratado capcioso a Grã-Bretanha ocupa. As gentes castelhanas são simpáticas e muitos portugueses têm bons amigos no Reino de Espanha. Um reino que, tal como os outros cheiram a naftalina. O jovem Filipe VI caracterizou o estado espanhol como uma «nação de nações»- É uma expressão tonta, mas que reconhece que a Galiza, a Catalunha e o País Basco são nações.

É melhor do que nada.

Leave a Reply