PENÉLOPE – um poema de Rachel Gutiérrez


Não teço a espera, o meu tapete
é aquele mágico entre nuvens
que leva o longe, conduz sonhos
e inventa o vento e a nova vida.
Contudo é densa a escura noite
em que não ter-te é não crescer
e é viver menos sem morrer
pois que és de mim outro começo,
sou tua fronteira e tu não sabes.
E enquanto teces teu tapete
de aventuras sem me ver,
sou Odisséia, eu também,
– Eu sou Viagem!
E é em alto mar que as tuas ondas
– Velas ao vento! –
as minhas ondas vão tocar.
(de Comigos de Mim, Massao Ohno, 1995)