POESIA AO AMANHECER – 311 – por Manuel Simões
13 anos ago
AIRES DE ALMEIDA SANTOS
( 1921 – 1991 )
A MULEMBA SECOU (fragmento)
A mulemba secou.
No barro da rua,
Pisadas
Por toda a gente,
Ficaram as folhas
Secas, amareladas
A estalar sob os pés de quem passava.
Depois o vento as levou…
Como as folhas da mulemba
Foram-se os sonhos gaiatos
Dos miúdos do meu bairro.
[…]
O Macuto da Ximinha
Que cantava todo o dia
Já não canta.
O Zé Camilo, coitado,
Passa o dia deitado
A pensar em muitas coisas.
E o velhote Camalundo,
Quando passa por ali,
Já ninguém o arrelia,
Já mais ninguém lhe assobia,
Já faz a vida em sossego.
Como o meu bairro mudou,
Como o meu bairro está triste
Porque a mulemba secou…
Só o velho Camalundo
Sorri ao pasar por lá!…
(de “Antologia Temática da Poesia Africana”)
Colaboração literária nos vários jornais de Benguela e de Luanda. Antologiado na “Antologia Temática de Poesia Africana. 1- Na Noite Grávida de Punhais”, de Mário de Andrade. Mulemba: árvore de fruto comestível, também conhecida por sicômoro.