POESIA AO AMANHECER – 312 – por Manuel Simões

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AGOSTINHO NETO

( 1922 – 1979 )

HAVEMOS DE VOLTAR

Às casas, às nossas lavras

às praias, aos nossos campos

havemos de voltar

Às nossas terras

vermelhas do café

brancas do algodão

verdes dos milharais

havemos de voltar

Às nossas minas de diamantes

ouro, cobre, de petróleo

havemos de voltar

Aos nossos rios, nossos lagos

às montanhas, às florestas

havemos de voltar

À frescura da mulemba

às nossas tradições

aos ritmos e às fogueiras

havemos de voltar

À marimba e ao quissange

ao nosso carnaval

havemos de voltar

À bela prátria angolana

nossa terra, nossa mãe

havemos de voltar

Havemos de voltar

à Angola libertada

Angola independente

Cadeia do Aljube, Outubro de 1960

(de “Sagrada Esperança”)

Colaborou em jornais e revistas de Angola (“Mensagem” e “Cultura-II, 1957-1961”) Portugal e Brasil. Um dos animadores da Casa dos Estudantes do Império, de Lisboa. A sua primeira publicação de textos poéticos foi recolhida em “Quatro poemas de Agostinho Neto” (1957). Seguiram-se “Poemas” (1961) e “Sagrada Esperança” (1974) e “A Renúncia Impossível. Poemas Inéditos” (1985), o último título publicado postumamente. Foi, como se sabe, presidente do MPLA e da República Popular de Angola, logo após a independência.

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