POESIA AO AMANHECER – 314 – por Manuel Simões

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ANTÓNIO JACINTO

( 1924 – 1991 )

OUTRA VEZ VÔVÔ BARTOLOMEU

Si vôvô Bartolomeu fosse vivo

si fosse mesmo vivo

não contaria mais histórias

à sombra daquela mulemba

Ouviria

Agora só ouviria

as histórias da gente moça

escritas com sangue e coragem

Ou talvez, quem sabe, nos dissesse

que estas histórias de agora

são talqualmente mesmo

as histórias que seu avô contava

Ah! estas histórias de agora

escritas com Sangue e Coragem

são ainda as histórias antigas

ah! vôvô Bartolomeu

histórias tão antigas

di contar todos os dias

até o último escravo

Si vôvô Bartolomeu fosse vivo

si fosse mesmo vivo

à sombra daquela velha mulemba

ainda na mesma carcomida cadeira

espiaria o regresso dos netos

di papai Sangue

di mamãe Coragem.

(de “Vôvô Bartolomeu”)

Foi um dos animadores do “Movimento dos Novos Intelectuais de Angola”. Colaborou em “Mensagem” (Luanda) , “Mensagem” (Casa dos Estudantes do Império), “Cultura-II”, “Jornal de Angola”, “Brado Africano” e “Notícias do Bloqueio”. Foi ministro da Educação, depois da independência, e presidente da UEA (União dos Escritores Angolanos). Publicou “Poemas” (CEI, 1961) e “Vôvô Bartolomeu” (1979). Como contista usou o pseudónimo Orlando Távora.

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