POESIA AO AMANHECER – 311 – por Manuel Simões

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AIRES DE ALMEIDA SANTOS

( 1921 – 1991 )

A MULEMBA SECOU (fragmento)

A mulemba secou.

No barro da rua,

Pisadas

Por toda a gente,

Ficaram as folhas

Secas, amareladas

A estalar sob os pés de quem passava.

Depois o vento as levou…

Como as folhas da mulemba

Foram-se os sonhos gaiatos

Dos miúdos do meu bairro.

[…]

O Macuto da Ximinha

Que cantava todo o dia

Já não canta.

O Zé Camilo, coitado,

Passa o dia deitado

A pensar em muitas coisas.

E o velhote Camalundo,

Quando passa por ali,

Já ninguém o arrelia,

Já mais ninguém lhe assobia,

Já faz a vida em sossego.

Como o meu bairro mudou,

Como o meu bairro está triste

Porque a mulemba secou…

Só o velho Camalundo

Sorri ao pasar por lá!…

(de “Antologia Temática da Poesia Africana”)

Colaboração literária nos vários jornais de Benguela e de Luanda. Antologiado na “Antologia Temática de Poesia Africana. 1- Na Noite Grávida de Punhais”, de Mário de Andrade. Mulemba: árvore de fruto comestível, também conhecida por sicômoro.

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