Ontem, houve mais uma reunião dos parceiros sociais com a troika. À saída, a insatisfação era generalizada, segundo as notícias. Embora se reconheçam os erros de cálculo relativos aos efeitos recessivos da austeridade sobre a economia, a ordem é sempre a mesma, manutenção e reforço das medidas, continuando os salários, e claro que também as pensões, a ser o alvo principal das restrições julgadas indispensáveis para a “consolidação orçamental” e outros objectivos aparentados. Os parceiros sociais discordam, o governo concorda. Portanto, as perspectivas para 2014 são cada vez piores. Aumento de salário mínimo, não é tolerado pelos agentes do FMI, do BCE e da União Europeia. E outro aspecto que terá sido abordado, o BCE vai continuar a emprestar dinheiro aos bancos a uma taxa muito baixa, mas não aos estados. É claro que a especulação financeira vai continuar, e nós a pagar.
A União Europeia não é uma organização democrática. Costuma dizer-se, para adoçar a boca aos seus responsáveis, que tem um défice democrático. Agora há uma discussão sobre como deve nomeado o presidente da Comissão Europeia, o que até agora tem sido feito pela Comissão Europeia, supondo-se que tendo em conta o resultado das eleições europeias. Neste capítulo, o próprio Wolfgang Schaüble, ministro das Finanças alemão, defende a eleição directa para aquele cargo, “para uma maior identificação dos cidadãos com a Europa”. Reconhece as insuficiências do sistema, talvez por reconhecer o risco de desabamento do edifício que o sustenta.
Para um país como Portugal a perda da sua autonomia, sem nada que salvaguarde os riscos resultantes para os seus cidadãos, equivale ao caminho vertiginoso para o abismo. A continuação da austeridade, cujas medidas, segundo a troika, terão de continuar a vigorar depois de finda oficialmente a sua intervenção, levará cada vez mais à paralisação das suas principais forças produtivas, o que, em acumulação com a orgia de privatizações, extinções, e outras receitas apenas destinadas a remover todos os obstáculos à actuação do grande capital, e a satisfazer ansiedades de saudosos do passado, equivale a um autêntico finis patriae. Não são com certeza as reduzidas diminuições no número de desempregados e o crescimento mínimo da exportações, tão aclamados pelos apoiantes de Passos/Portas, que poderão afastar este terrível destino.


