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EDITORIAL – UMA CAUSA FRACTURANTE NÃO VEM SÓ

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O PSD aprovou a realização de um referendo sobre a adopção e a co-adopção por casais do mesmo sexo.  Aprovou-a sozinho. O CDS absteve-se, e os restantes partidos representados no parlamento votaram contra. Vários deputados do PSD e do CDS fizeram declarações de voto, porque, alegam, votaram contra as suas consciências, para respeitarem a disciplina de voto. Algumas pessoas chamaram a atenção para que, concorde-se ou não com a questão em causa, trata-se de fazer um referendo sobre os direitos civis de que usufruem todos os cidadãos, à face da lei. Outros recordaram que a Assembleia da República vem, desde há meses, trabalhando em legislação sobre o assunto, e que a introdução deste referendo vem pôr em causa a sua própria autoridade, num sistema que se diz de democracia representativa.

Não será com certeza excessivo reflectir um pouco sobre este assunto. Porquê um referendo sobre esta matéria e não sobre o corte das pensões? Ou sobre a adesão de Portugal aos tratados europeus? Seria muito mais apropriado, em qualquer dos casos. O corte das pensões rompe com uma obrigação do estado e da sociedade para com um grande número de pessoas e respectivas famílias, que estão a pagar por falhas que não cometeram, e os tratados europeus, esses então dizem respeito a toda a população, e afectam decisivamente o seu fututo. Pois…

Aproximam-se eleições, e nada como uma causa que faz apelo a um certo número de instintos e preconceitos para lançar a confusão nas intenções de voto. O ambiente à volta do referendo criará condições propícias para, por exemplo, assimilar as posições dos que votam a favor da adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo às dos que estão contra a política da austeridade. Para tal contarão factores de peso, como a posição da Igreja Católica, que é contra aquela ideia, e reclama o referendo.  Vejam em:

http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=29&did=135857

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