“QUANTO MENOS SE LER, MENOS SE HÁ-DE PENSAR E MAIS DIFÍCIL SERÁ A DEMOCRACIA” – JOSÉ JORGE LETRIA por Clara Castilho
clara castilho
Continuando a falar de algumas das comunicação que se puderam ouvir no ENCONTRO «LITERATURA: PRESENTE, FUTURO», deixo alguns pensamentos de José Jorge Letria que consegui apanhar. E disse ele:
Num momento em que livrarias fecham, salas de cinema são vendidas para lojas chinesas, as bibliotecas têm menos verbas, é legítimo perguntar: Que direitos e Deveres de quem escreve?
Num domínio da cidadania é relevante ensinar e fomentar a leitura. Apesar das novas tecnologias darem a impressão de que deixaram de existir fronteiras. A Amazon até comprou o Washington Post, jornal que ajudou a derrubar Nixon do poder. E antes disto, muito tinha contribuído para o fecho de muitas livrarias.
Um exemplo do que defende
De facto, algo está a mudar, mas não somos nós. É o paradigma em que nos encontramos. Mas acredita que o livro, em qualquer suporte, vai continuar a ser essencial. Os livros são sempre um selo de liberdade. A História mostra que, sempre que um modelo totalitário tentou impôr-se, o primeiro acto de destruição visou os livros.
Ler livros no computador? E se falta a electricidade? E pode ler-se na cama, deitado de lado? Ou dentro de uma banheira?
É frequente perguntarem a grandes escritores: “O que vai acontecer ao livro?” (Humberto Eco, Carlos Fuentes, Jean Pierre Cardier…) Mas nos livros, o que interessa é o conteúdo, as ideias. E essas não mudam. Mesmo que a Troika diga quantos livros devemos e quantos livros estamos autorizados a comprar…
O importante é que quanto menos se ler, menos se há-de pensar e mais difícil será a democracia.
O dever do escritor é escrever, ser lido e respeitado. É ter contacto com os seus leitores – em feiras, em escolas, para que sejam vistos como alguém que é acessível.
O grande juiz é o tempo. Quando se morre, ninguém consegue levar consigo a fama. O presente e o futuro do livro está ligado à ideia de liberdade. Isso o provou, por exemplo, a Livraria Barata onde se iam comprar os livros proibidos escondidos dentro de um jornal…
E já que há espaço, fiquemos com partes de um poema de José Jorge Letria, do livro A Arte de Armar, de 1974.