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A MORTE DE RESISTENTES PODE IMPULSIONAR AS LUTAS E SER EXEMPLO por clara castilho

Que o dia 25 de Novembro é o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres já sabia e já isso aqui foi abordado. Não sabia era porquê esse dia e não outro.  Fiquei agora a conhecer a razão, com a morte da última irmã Mirabal.

As irmãs Mirabal cresceram numa zona rural da República Dominicana. Quando o ditador Trujillo tomou o poder, formaram um grupo de oposição ao regime, tornando-se  conhecidas como Las Mariposas.

 

Foram presas e torturadas várias vezes. No dia 25 de Novembro de 1960, Trujillo decidiu matá-las, tentando apanhá-las quando iam visitar seus maridos na prisão. Foram levadas para uma plantação, onde foram apunhaladas e estranguladas. Lembremos seus nomes: Patria Mercedes Mirabal, Minerva Argentina Mirabal, Antonia María Teresa Mirabal.

O assassinato teve muita repercussão. A  morte destas três irmãs, em simultâneo, e planeada, contribuiu para aumentar o despertar da consciência do povo, culminando no assassinato de Trujillo em Maio em  1961.

Em Junho de 1962 ocorreu o julgamento dos homens que tinham assassinado as três irmãs Mirabal. O tribunal condenou os principais implicados com a pena de 30 anos, que não cumpriram, dado que conseguiram fugir.

No Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho de 1981, realizado em Bogotá, na Colômbia, a data do assassinato das irmãs foi proposta pelas feministas para ser o dia Latino-Americano e Caribenho de luta contra a violência à mulher. Em 17 de Dezembro de 1999, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou que 25 de Novembro seria o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.

Em 1995, a escritora dominicana Julia Álvarez publicou o livro No Tempo das Borboletas, baseada na vida de Las Mariposas, e que em 2001foi a base de  um filme com o mesmo nome. A sua história é também recordada no livro A Festa do Bode, do peruano Mário Vargas Llosa.

A única sobrevivente dessas irmãs faleceu no dia 3 de Fevereiro com 88 anos. De seu  nome   Bélgica Adela Mirabal,  mas mais conhecida por “Dedé” foi quem cuidou dos seis filhos das irmãs assassinadas e quem tudo fez para preservar a memória da família. Dedé continuou a viver na mesma casa onde tinham nascido e continuou trabalhando para preservar a memória de suas irmãs, lá instalando o Museu Irmãs Mirabal. Em 2009, escreveu um livro, Vivas no seu Jardim, onde conta a história da família.

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