– É este o meu território, a minha querença.
– Querença, a querença… És como os bichos…
– Isso mesmo, disseste bem, bicho-homem sou eu. A querença, o meu apego ao local de origem, onde fui feito, onde nasci, onde bebi do leite e das águas, onde cresci, onde cacei o meu primeiro fascista, onde amei, onde fiz filhos, onde me fisga a Grande Fisga, intermitência de quatro vidas. Aqui estou eu nas vésperas da quinta, vai lá tirando a roupa…
– Deixa-te de parvoíces… E depois?
– Depois? Depois as coisas desandaram, o mapa era todo imaginado, não coincidia com o território. Onde fora cartografado porto seguro, afinal era costa de arrecifes. Onde fora anotada bacia hidrográfica por entre verdes prados, afinal era deserto de areia a rocha.
In QUERENÇA


