SONHAR ALÉM… por Fernando Correia da Silva

Há versos intercalados na prosa do Bernardim, que eu sei e sinto, mito, omito, imito, emito, etc. e tal, indómito, vómito. Virei-me para o outro lado. Um dia destes vou-me dar à pachorra de catá-los. E enquanto pensava nisso, adormeci, deviam ser duas da manhã. O Júlio já ressonava.

De madrugada, acho que foi de madrugada, tive um sonho e foi assim:

Vendaval, tempestade, eu sacudida de onda em onda. Eu não sabia mas estava a regressar ao lugar que era meu, o mar deu-me à costa. Cinzento, furioso e cheio de espuma, mas na praia havia sol. E ao fundo da praia havia uma casa branca. E na casa havia um alpendre. E no alpendre havia uma rede armada. E na rede balançava-se o Júlio. E o Júlio levantou-se, correu para mim, estendeu as mãos e disse:

– Bem te quero, bem me queres.

O mar acalmara e de repente ficara verde. Mas só à superfície, que por dentro era azul. Serenidade e uma gaivota piou, eram horas de acordar e acordei.

                                                                                                                                                                    In QUERENÇA

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