A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
No valioso e agudo prefácio a este romance póstumo de Fernando Correia da Silva, o argonauta e escritor que em Julho de 2014 partiu na viagem que nenhum ser vivo deixa de fazer, a escritora e ensaísta brasileira Rachel Gutiérrez, diz:
scobridor de mundos”, que vivera 20 anos no Brasil, desde seu romance Mata Cães, de 1987, estava “ fundamente arraigado no lastro decepcionante deixado pela revolução de 25 de abril, em Portugal”, como disse Nelly Novaes Coelho em sua valiosa apreciação daquele livro. E também disse muito bem Mafalda Ivo Cruz quando definiu Correia da Silva como alguém que “estava sempre momentaneamente desesperado, mas sempre bem disposto”, quando analisou seu romance histórico Lianor. À exemplo de seu próprio personagem Júlio Vera, de outro excelente romance, Querença, o escritor se refugiava no paradoxo, no tom picaresco e no sarcasmo. Em A cor dos homens, no entanto, parece-nos que o tom é mais sombrio, sério, nebuloso e desesperançado como o delírio de seu narrador. Neste romance, a exuberante imaginação de Correia da Silva criou um universo fechado e simbólico onde, em consequência de uma peste misteriosa, algumas das piores mazelas dos animais políticos que somos se exacerbam.