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A CANETA MÁGICA – “Muito barulho para nada” – por Carlos Loures

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No próximo dia 27 de Março celebramos aqui o Dia do Teatro. Há uns anos atrás, num blogue que antecedeu este, publiquei uma série de crónicas em que, a propósito de títulos de peças famosas, falava sobre temas de política actual – estive a ler esse conjunto de textos e, com uma escovadela e pequenas alterações, parecem-me capazes de voltar a ser postos em circulação. Afinal, a reciclagem não é um dever?  Começo com Muito barulho para nada.

Much ado about nothing, é, como se sabe, o título de uma peça do divino Shakespeare. Vi-a no Teatro da Cornucópia há mais de vinte anos, com tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen, muito bem encenada por Luís Miguel Cintra e com um naipe de actores como Luís Lima Barreto, Márcia Breia, Teresa Madruga, Luís Guilherme… Para o que quero dizer, a história que a peça conta não interessa. A minha cleptomania, desta vez, resumiu-se ao roubo do título.

Penso que a cada facto da actualidade deve ser dada a importância que ele realmente tem. Esta gente contra a qual vociferamos só tem importância por ser das suas bocas que saem as medidas terroristas que estão a desmantelar o já de si periclitante andaime da nossa Economia, são políticos descartáveis, como são agora as fraldas. Fraaldas a que o Eça aludia e cuja substituição aconselhava a bem da higiene. Pode bem acontecer que António José Seguro seja o futuro primeiro-ministro de Portugal. Será ou não será, mas, se for, o que irá isso mudar nas nossas vidas?

Passos Coelho é um rapaz emproado, muito convencido da própria importância, a quem nunca ouvi uma frase que merecesse a pena reter. Daquela cabeça nunca sairá uma ideia que se aproveite, vaticino eu.

Tem em António José Seguro um adversário de respeito – pois em vulgaridade, falta de ideias próprias pede meças a Coelho. E em termos de vácuo, de apneia cerebral, parece bater o primeiro-ministro.  Mas, na sua insignificância intelectual, é um dos tais políticos descartáveis que fazem muito jeito a quem, de facto, manda. Quanto mais ideias tivesse, mais empatava o negócio. Essa gente que decide deve estar hesitante entre um Coelho que já deu boas provas, mas que está queimado, e um outro que demonstra ter aptidão para o cargo, dada a sua visível inaptidão.

Quando decidirem, dão corda aos papagaios da comunicação social e vai disto. Os eleitores quando forem votar “livremente”´, já estarão devidamente esclarecidos. Porque isto não é uma questão em que entrem as ideias. Os interesses é que interessam.

Os deles, claro.

Muito barulho para nada.

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Nota-  Esta rubrica começa a sua terceira vida. Ainda não tem dia e horário fixados, mas a pressa de exibir o belo logo concebido pelo Dorindo Carvalho, apressou as coisas.

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