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OBAMA PRONUNCIA-SE CONTRA A AUTODETERMINAÇÃO, por PAUL CRAIG ROBERTS

Selecção, tradução, apresentação e anotações por Júlio Marques Mota

Sobre Paul Craig Roberts

Paul Craig Roberts não é um analista americano qualquer. Economista de formação, diplomado pelas Universidades de Berkeley e Oxford, hoje com 74 anos, foi Secretário Associado ao Tesouro americano na administração de Ronald Reagan, seguidamente membro do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais na Universidade Georgetown. O mesmo é  dizer que fez parte da classe dirigente conservadora dos Estados Unidos durante uma parte da sua vida. Foi mesmo decorado com a Legião de Honra da França por Édouard Balladur, então ministro da Economia e Finanças, em 1987.

Contudo, depois de ter sido seguidamente editor chefe associado e editorialista do Wall Street Journal, bem como colunista para Business Week assim como cronista para “ Scripps Howard News Service”, Paul Craig Roberts tomou progressivamente as suas distâncias para com “l’establishment” americano. Até ter chegado à ruptura que agora é mesmo total.

Obama pronuncia-se contra a auto-determinação

Paul Craig Roberts

Em edição tri-lingue no site de RÉSEAU VOLTAIRE | 8 MARÇO de 2014

 

Barack Obama declarou várias vezes, sem razão e de forma um tanto estúpida, que é “contrário ao direito internacional” para a Crimeia se pronunciar sobre a sua autodeterminação [1]. A autodeterminação, tal como é utilizada por Washington, é um termo de propaganda que serve o seu império, mas que não é admissível. A 6 de Março de 2014, Obama telefonou a Putine para lhe dizer de novo que somente Washington tem o direito de intervir na Ucrânia. Contra qualquer lógica, insistiu que somente “o governo” de Kiev, instalado pelo golpe de Estado organizado por Washington, é “legítimo” e “democrático”.

Por outras palavras, o governo a eleger pela Crimeia é “antidemocrático” e “ilegítimo” porque organiza um referendo de autodeterminação, mas o governo não eleito em Kiev e imposto por Washington seria ele legítimo.

Washington está assim de tal forma arrogante que aquilo que o mundo pensa da sua flagrante hipocrisia nunca vem à cabeça destes loucos levados pela sua hybris.

Desde o regime Clinton, o que Washington tem feito é violar o direito internacional: a Sérvia, o Kosovo, o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria, o Irão, o Paquistão, o Iémen, a Somália, as Honduras, a Venezuela, o Equador, a Bolívia.

Será que a Rússia possui um Comando militar para as outras regiões do mundo? Não, mas Washington sim.

A Rússia cerca os Estados Unidos com as suas bases militares? Não, mas Washington utilizou a OTAN, cuja razão de ser desapareceu há já 23 anos, para organizar na Europa ocidental, oriental e do Sul bases imperiais avançadas sobre as fronteiras da Rússia. Washington está determinada em estender os limites da Organização do Tratado do Atlântico Norte na Geórgia, na Ásia central e na Ucrânia sobre mar Negro. A Geórgia e a Ucrânia são antigos elementos constitutivos da Rússia e da União soviética.

Washington está a querer fazer a mesma coisa com a China e com o Irão. Washington trabalha a querer estabelecer novas bases navais e aéreas nas Filipinas, na Coreia do Sul, no Vietname, na Tailândia e na Austrália para bloquear o fluxo de petróleo e outros recursos para a China. O Irão está cercado por cerca de 40 bases militares americanas e a frota dos EUA manobra ao largo das suas costas.

Na propaganda de Washington, este militarismo fedorento é apresentado como sendo “a defesa da democracia.”

O governo russo continua a agir como se as ameaças de Washington em relação à independência e aos interesses estratégicos da Rússia possam ser desactivados com bom senso e boa vontade. Mas Washington não possui nem uma coisa nem outra.

Desde o regime Clinton, Washington foi confiscado por uma colecção de ideólogos que estão convencidos que os Estados Unidos são “o país indispensável e excepcional” com um direito de hegemonia mundial. Todo o que Washington fez no século XXI é tentar prosseguir este objectivo.

Washington tem a intenção de dar cabo da própria Federação da Rússia. Washington gasta e enormes somas de dinheiro pago a associações dentro da Rússia que servem de quinta coluna e que trabalham mão na mão com os Estados Unidos para desacreditar as eleições livres russas, para diabolizar o presidente Putin e o governo russo, para difundir propaganda anti-russa e para fazer agitação. É surpreendente ver quantos Russos é que acreditam realmente na propaganda ocidental.

Washington trabalha também para isolar a China com o Trans-Pacific Partnership, embora hoje esteja principalmente centrado na desestabilização e no isolamento da Rússia. Washington tenta quebrar os BRICS, a organização emergente do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul. Com os maiores países e cerca de metade da população mundial, os BRICS estão a tornar-se uma potência política e económica, em especial no que diz respeito a uma nova moeda de reserva para substituir o dólar americano. Cercar a Rússia com bases de mísseis compromete a soberania e a independência da Rússia e, por conseguinte, enfraquece os BRICS como poder para com Washington.

Muitos têm sido enganados pela propaganda de Washington. O mundo está em vias de o perceber mas será que desperta a tempo?

Os meios de comunicação social americanos e muitos na Europa repetem em uníssono a propaganda de Washington, diabolizam os seus alvos e preparam as populações ocidentais insatisfeitas para mais guerra. Os meios de comunicação social ocidentais, tal como como os seus governos, estão desprovidos de gente integra. Os mentirosos e as putas reinam, esta é a verdade. .

Paul Craig Roberts, Obama Comes Out Against Self-Determination, Março de 2014.

Texto disponível em http://www.voltairenet.org/article182587.html.

http://www.voltairenet.org/article182587.html

Pessoalmente aconselhamos uma visita ao site oficial de Paul Craig Roberts cujo endereço é:

http://www.paulcraigroberts.org/

e em particular aos estudantes de economia, seja de licenciatura ou mestrado.

http://www.paulcraigroberts.org/2014/03/07/obama-comes-self-determination-paul-craig-roberts/

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