ENCONTRAR AS CAPACIDADES ESCONDIDAS EM CADA UM ATRAVÉS DE TÉCNICAS TEATRAIS por Clara Castilho
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Com o intuito de suprimir a realidade ainda hoje existente, a qual coloca os deficientes como população fora dos parâmetros “normais” dos padrões instituídos, a Assembleia Geral das Nações Unidas, aprovou a Resolução n° 45/91, que aborda o modelo de sociedade inclusiva, ou “sociedade para todos”, baseando-se no princípio de que todas as pessoas têm o mesmo valor e perante tal evidência deve a sociedade empenhar-se em aceitar e ter em conta as diferentes necessidades de cada um dos cidadãos.
As pessoas com deficiência/doença mental são muitas vezes excluídas da actividade teatral e isso têm contribuído para a dificuldade de dar oportunidades a todos quantos desejam, através do teatro, expressar-se artisticamente, afastando o princípio consagrado na directiva das Nações Unidas.
Mas há quem responda a este desafio e aproveite as potencialidades que a experiência do exercício da experiência de ser “actor” ou de desempenhar outras actividades relacionadas com a montagem de uma peça teatral. Nestes casos, pode dizer-se que o teatro é posto ao serviço de um objectivo específico, em que se permite conectar experiências, criando uma aventura em que todos podem comparticipar. As técnicas de tipo vivencial vão à procura de todos os recursos existentes em cada um dos sujeitos com quem se trabalha.
O mais conhecido é o Grupo Crinabel Teatro, um colectivo com quase 30 anos de existência, criado no seio da Crinabel, Cooperativa de Ensino Especial, e que tem vindo ao longo do seu percurso a desenvolver um trabalho artístico com jovens portadores de deficiência mental, procurando potenciar as suas capacidades artísticas, pessoais e sociais.
Em Janeiro tiveram em cena a peça “A Cantora Careca” a partir de Eugene Ionesco com encenação de Marco Paiva, no Teatro da Comuna. De Fevereiro a Junho de 2014 no Centro Cultural Malaposta poderá ser vista “A Grande Viagem”.
O ano passado, um grupo de alunos de cinema da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, deu protagonismo a pessoas com deficiência mental com a colaboração da delegação da Covilhã da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM). Daí saiu uma curta-metragem orientada pelo realizador do filme Henrique Cannavial. Tem como título “O mais forte protege o mais fraco”.
O Grupo de Teatro da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Setúbal (APPACDM) apresentou recentemente uma original versão da peça D. Quixote e Sancho Pança.
A CERCI de São João da Madeira também investe nesta metodologia e vai a escolas mostrar a peça “Um mundo melhor” .
A CERCIAMA, da Amadora, também utiliza as técnicas teatrais, intervindo junto das escolas, para combater o preconceito contra o preconceito em relação à deficiência.