PARÁBOLA HINDU – OS CEGOS E O ELEFANTE por Luísa Lobão Moniz
clara castilho
Porquê uma parábola?
Em grego significa uma narrativa curta, alegórica que se utiliza sobre situações, sobre pessoas para comparar a ficção com a realidade e através dessa comparação transmitir uma lição de sabedoria (a moral da história).
A parábola transmite uma lição ética através de uma prosa metafórica, de uma linguagem simbólica.
Uma Parábola é como que uma “fotografia” instantânea tirada a qualquer que não conhecemos. Cada um fala da sua verdade como sendo a única, não dando ouvidos ao que os outros vêem. O que fica em causa não é acreditar ou não acreditar, concordar ou não concordar, mas sim aceitar ou não aceitar que aquilo possa fazer sentido também no “aqui” de cada um.
A parábola é uma forma participativa de ensinar, de educar. Faz descobrir. Ela leva a pessoa a reflectir sobre a sua própria experiência de vida e compará-la
A parábola muda os olhos, faz da pessoa uma observadora da realidade.
“Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas recorriam à sua ajuda.
Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio.
Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:
– Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí discutindo como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.
No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.
O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:
– Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem; parecem paredes…
– Que palermice! – disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. – Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra…
– Ambos se enganam – retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. – Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia…
– Vocês estão totalmente alucinados! – gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante. – Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante…
– Vejam só! – Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! – irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante. – Este animal é como uma rocha com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele.
E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.
Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:
– É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!”
Nos tempos em que vivemos, o elefante somos nós, mas conforme as ideologias ( as diferentes partes do elefante) assim se definem as medidas de austeridade. A parte nunca se relaciona com o todo.
Andamos todos a gritar contra a austeridade, mas não somos capazes de mostrar o elefante grande e poderoso que é o povo.