Continuamos a “esmiuçar” a sondagem que já este mês a Universidade Católica levou a cabo por encomenda do DN, JN, Antena 1 e RTP. É uma sondagem com resultados lógicos se levarmos em linha de conta que há um marketing político e que os políticos nos são apresentados com técnicas amplamente testadas em margarinas, desodorizantes, óleos alimentares… Sabe-se que em marketing se devem tomar em consideração dois tipos de qualidade – a qualidade técnica, ou seja, a qualidade intrínseca – aquilo que o produto realmente é, e a qualidade percebida, ou seja, a reputação do produto no mercado, aquilo que os consumidores pensam que o produto é.
Uma margarina potencialmente cancerígena, pode ser um êxito comercial, após uma boa campanha, com vacas a pastar em prados verdejantes e famílias-modelo simulando ingerir o produto, afirmando que é cremosa e que deixa o pão estaladiço, equilibrando o índice de colesterol. A qualidade percebida nada tem a ver com a qualidade técnica, O marketing tem como função fazer com que a primeira se transforme em verdade. E as organizações de defesa do consumidor que denunciam os malefícios do produto, são também elas sujeitas às regras da mercadorização – podem ter uma elevada qualidade técnica, mas a qualidade percebida é baixa e remete-as para o campo da alienação, do fanatismo.
Dito isto, nem merece a pena referirmos resultados que, avaliando os contributos positivos dados à democracia, colocam á cabeça Mário Soares com 16%, seguindo-se Sá-Carneiro com 7%o. Vêm depois Cavaco Silva e José Sócrates, com 5%, Álvaro Cunhal (4%) à frente de Ramalho Eanes (com 3%). Jorge Sampaio e António Guterres ficam a par de Cristiano Ronaldo, com 2%.