EDITORIAL – Falando de marketing

Imagem2Continuamos a “esmiuçar” a sondagem que já este mês a Universidade Católica levou a cabo por encomenda do DN, JN, Antena 1 e RTP. É uma sondagem com resultados lógicos se levarmos em linha de conta que há um marketing político e que os políticos nos são apresentados com técnicas amplamente testadas em margarinas, desodorizantes, óleos alimentares… Sabe-se que em marketing se devem tomar em consideração dois tipos de qualidade – a qualidade técnica, ou seja, a qualidade intrínseca – aquilo que o produto realmente é, e a qualidade percebida, ou seja, a reputação do produto no mercado, aquilo que os consumidores pensam que o produto é.

Uma margarina potencialmente cancerígena, pode ser um êxito comercial, após uma boa campanha, com vacas a pastar em prados verdejantes e famílias-modelo simulando ingerir o produto, afirmando que é cremosa e que deixa o pão estaladiço, equilibrando o índice de colesterol. A qualidade percebida nada tem a ver com a qualidade técnica, O marketing tem como função fazer com que a primeira se transforme em verdade. E as organizações de defesa do consumidor que denunciam os malefícios do produto, são também elas sujeitas às regras da mercadorização – podem ter uma elevada qualidade técnica, mas a qualidade percebida é baixa e remete-as para o campo da alienação, do fanatismo.

Dito isto, nem merece a pena referirmos resultados que, avaliando os contributos positivos dados à democracia, colocam á cabeça Mário Soares com 16%, seguindo-se Sá-Carneiro com 7%o. Vêm depois Cavaco Silva e José Sócrates, com 5%, Álvaro Cunhal (4%)   à frente de Ramalho Eanes (com 3%). Jorge Sampaio e António Guterres ficam a par de Cristiano Ronaldo, com 2%.

Pergunta-se: o que tem isto a ver com Democracia?

1 Comment

  1. Claro que isto não tem nada a ver com a Democracia! Nem vale a pena esperar que tenha…
    Tem apenas a ver com o “marquetingue” e os “marquetingueiros”.
    Estes últimos são vulgaríssimos produtos do “pensamento dominante” e da ideologia cada vez mais expandida que o produz. Isto é, na melhor das hipóteses, são criaturas medianamente inteligentes, completamente incultas, ignorantes, totalmente incapazes (como quase todos os contemplados com uma “licenciatura” nestas áreas algo pantanosas das “ciências humanas” e arredores – vide economistas, jornalistas, advogados, gestores, etc.) de compreender o que lhes enfiaram nos crânios – e ainda menos qualquer outra coisa que ultrapasse o estreito mundo neles aferrolhado -, em absoluto ineptos para criar algo de verdadeiramente novo sobre a mistela (de forte componente ideológica, sempre) com que foram atafulhados.
    É raríssimo deparar (embirro com o uso deste verbo como reflexo) com uma sondagem, um inquérito, uma proposta de divulgação de uma “marca”, (para os “marquetingueiros” o mundo é constituído unicamente por “marcas” – devem comer e beber “marcas”, fornicar com “marcas”, gerar “filhos-marcas” e, quando falecidos, nas respectivas campas deverá ler-se: “aqui jaz a Marca Tal”) de uma simples linha gráfica – também passaram a dar-lhe outro nome, para parecer o que não é… – que tenha um mínimo de nexo, de criatividade, de entendimento do “meio” em que estão a trabalhar, da maior ou menor complexidade do que lhes é pedido.
    Nos últimos anos da minha vida profissional, fui obrigado a confrontar-me com algumas das patetices produzidas pelo “marquetingue” interno da minha empresa e por outras paridas em “autesorcingue” (em português, muito simplesmente, subempreiteiros).
    Jamais por aquelas mentes ocas passou alguma das questões fundamentais colocadas por aqueles subversivos da Bauhaus, no que se refere a matérias cujo estudo seria fundamental para quem pretenda exercer uma profissão em áreas como a publicidade, o “marquetingue” e afins: para que serve o que se produz, qual a função a que se destina e à qual a “forma” se deve adaptar (o que não se reduz ao “design”), etc., etc.
    Aqui também cabem – e muito à larga – as famigeradas sondagens, cuja estruturação é, quase sempre, deprimente, quando não risível. Escapam as mais simples, já batidas, sobre eleições. Quando as perguntas ultrapassam o mero “em quem vota?” é o descalabro total, desde a escolha das questões a colocar (sempre mal escolhidas, mal elaboradas e insuficientes para o estudo que se pretende fazer) à composição das “amostras”.
    Vivemos, de facto, em sociedades em que tudo é superficial e falsificado, por vigarice intencional ou incompetência funcional.
    A emergência muito rarefeita de alguns profissionais que pensam, questionam os próprios conteúdos que lhes são “passados” pelos professores e, portanto, são capazes de criar, de elaborar algo de realmente novo, que responda aos problemas que são chamados a resolver, só põe ainda mais em evidência a vacuidade do panorama global.

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