OFÍCIO DE ESCREVER, por MANUEL SIMÕES


OFÍCIO DE ESCREVER
Escrita como impulso
do grito, do ar que arde
em torno e dos membros
se dirige para o centro,
para o lugar proscrito.
Tudo é ardor e fogo,
súbita alegria, memória
a resgatar o vento
de novembro, o desvio
momentâneo da história.
Tudo é ardor, o vento
inventa o ritmo
que cria e forma o grito:
único meio ou modo
de resistir ao bloqueio.
25-11-1975, in Poemabril